Ruptura Prematura de Membranas.

15/06/2009 - 11:00 hs às 12:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Lúcia Mitsuko Yamano

Especialista em Ginecologia e Obstetrícia da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

1) A Dra. Lucia Mitsuko Yamano iniciou a videoconferência agradecendo o convite e dizendo que iria falar sobre um tema já acordado com a Dra. Silvia Regina, relacionado com Intercorrência Obstétrica sobre Ruptura Prematura de Membranas. Lembrou ser um tema importante, pois corresponde a 30% dos partos prematuros;

2) Dra. Lucia começou sua apresentação ressaltando a definição: “É a ruptura espontânea das membranas coriônica e amniótica antes do início do trabalho de parto.” A doutora lembrou ainda que essa ruptura independe da idade gestacional. Hoje há também a ruptura não espontânea, chamada atrogênica, relacionada a procedimentos invasivos;

3) Dra. Lucia passou a falar sobre o período de latência, que compreende o intervalo entre a ruptura das membranas e o início do trabalho de parto. Sendo que, no termo, 90% evoluem para parto em 24 horas. Já no período de pré-termo, o período é inversamente relacionado com a idade gestacional. Quanto menor o período gestacional, maior a incidência de latência. A incidência chega a 10% das gestações totais, sendo a RPM de pré-termo entre 1% e 3%;

4) Dra. Lucia ressaltou a importância da Ruptura Prematura de Membranas, que é o problema mais comum na Obstetrícia e ainda apresenta pontos controversos na conduta, tais como: Indicação de conduta expectante; uso de tocolíticos e corticosteróides; métodos para diagnóstico de infecção; época ideal do parto. Comentou que a Etiologia pode ser multifatorial, podendo ser relacionada aos fatores: Hiperdistensão uterina; fatores mecânicos; alteração da integridade cervical; fatores intrínsecos à membrana; alteração da oxigenação tecidual; diminuição da atividade imunológica bactericida do líquido amniótico; distúrbios do equilíbrio da flora vaginal;

5) Dra. Lucia lembrou que, com relação à Ruptura Prematura, o mais importante são as complicações maternas, entre elas a Corioamnionite (infecção da cavidade amniótica), a Infecção puerperal (Endometrite) e a Septicemia. As complicações fetais / neonatais são decorrentes da perda do líquido oligodrâmio, causando má-formação tanto facial deste feto, quanto alteração e deformidade de membros. Decorrente de uma oligodramnia leva a uma Hipoplasia pulmonar. Dentre as complicações fetais há também o Prolapso de cordão e a Prematuridade. A Prematuridade pode ser decorrente da Síndrome do desconforto respiratório, da Hemorragia intraventricular, da Enterocolite necrosante, da Sepse neonatal;

6) Dra. Lucia comentou o que pode ser feito com uma paciente que chega com histórico de Ruptura Prematura de Membranas e perda de líquido: Fazer a confirmação do diagnóstico; determinar a idade gestacional; avaliar a presença de infecção intra-amniótica; avaliar a vitalidade fetal; fazer a hospitalização. Com relação à confirmação diagnóstica, 90% dos casos são realizados através de exames clínico e especular. Nesse caso, não se realiza toque vaginal, para não correr o risco de ascender os microorganismos em direção à cavidade amniótica. Em relação à dúvida diagnóstica, deve-se pesquisar esse líquido amniótico. Para essa pesquisa, faz-se o teste de mudança de PH, teste de lanneta, presença de cristalização do muco cervical, ultrassonografia;

7) Dra. Lucia lembrou que para a determinação da idade gestacional é importante verificar se a data gestacional é decorrente da data da última menstruação (DUM) e se é confiável ou não, ou se ainda há um exame de ultrassonografia do primeiro trimestre. Para verificar a presença de infecção intra-amniótica, é preciso verificar se há febre maior que 37,8ºC, taquicardia materna, taquicardia fetal, útero irritável, secreção purulenta do orifício externo do colo, leucocitose (maior que 15.000 ou aumento de 20%). Já para verificar a vitalidade fetal, pode-se fazer uma cardiotocografia ou um perfil biofísico fetal. Neste último é importante verificar o movimento respiratório. A doutora ressaltou que todos os casos suspeitos devem ser hospitalizados;

8) Dra. Lucia lembrou qual a melhor conduta a ser tomada. Havendo presença de infecção intra-amniótica, a conduta deve ser resolutiva, independentemente da idade gestacional, sendo que a via de parto preferencial é a vaginal. Nesse caso, deve-se introduzir antibióticos. Se for uma idade acima de 34 semanas, a conduta deve ser ativa, procede o parto, com indução ao trabalho de parto (TP) ou cesárea, e faz-se a Antibiotioprofilaxia. Se a idade for entre 24 e 33 semanas, a conduta deve ser expectante e vigilante. Deve-se fazer uma pesquisa de cultura vaginal / perianal Estreptoco grupo B, rastrear a infecção intra-uterina, avaliar a vitalidade fetal e Corticoterapia;

9) Dra. Lucia finalizou sua apresentação falando sobre alguns aspectos controversos, entre eles a Tocólise. Alguns usam a Tocólise para aumentar o período de latência, aumentando também o risco de infecção. A Corticoterapia é utilizada no período de 24 a 34 semanas. Os Antibióticos profiláticos não são utilizados na Santa Casa, pois podem mascarar uma infecção intra-uterina, com risco de sepse tanto materna quanto fetal;

10) Regina Marchi tomou a palavra e passou para a Sra. Maria Fátima da Conceição (Gerente Técnica da FEHOSP) para que ela conduzisse o debate. Sra. Fátima, então, fez a seguinte pergunta: “Qual o índice de cesáreas que vocês têm na Santa Casa?” Dra. Lucia respondeu: “No caso de Ruptura Prematura de Membrana chega a 40 ou 50%, devido aos problemas ocasionados nesta situação e necessidade da cirurgia.” Sra. Fátima tomou a palavra novamente e passou às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes da Dra. Lucia Mitsuko Yamano. O debate poderá ser melhor acompanhado através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS http://educasus.org.br. Sra. Fátima agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA (Sra. Poliana Ap. Corazza de Oliveira, representando Dr. Gilberto Luiz Castro Vinhas, Cardiologista); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA (Dra. Valeria Afonso Ribeiro Ude, Obstetra do Corpo Clínico da entidade, representando Dr. José Waldyr Fleury de Azevedo, Pediatra e Coord. Científico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA – ausente (Dr. Rubens Tofano de Barros, Cirurgião Cardiovascular e Coord. Cientifico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA (Sr. Othoniel Roberto Cavion, Coord. Administrativo da entidade, representando Dr. Walter Alonso Chécoli, Coord. Científico e Cardiologista, e equipe); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA (Dr. Aristides Camargo, Coord. Científico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA (Dr. João Paulo de Lima Pedroso, especialista em cirurgia torácica e Coord. Científico da entidade); FEHOSP (Maria Fátima da Conceição, Gerente Técnica); HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA (Dr. André Ramos Neto, Ginecologista e Coord. Científico da entidade, e equipe) e HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS (não linkado).

Participantes:

Regina Marchi (Supervisora de Marketing da FCMSCSP).

Sem apresentação de powerpoint.