Comunicação de Más Notícias e Entrevista Familiar à Doação de Órgãos.

29/09/2009 - 11:00 hs às 12:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Priscila Fukunaga

MBA em comunicação de más notícias em situação de crise e Enfermagem em UTI e Gestão Hospitalar.

1) A Sra. Priscila Fukunaga iniciou a videoconferência agradecendo o convite para participar do projeto, e lembrando que iria falar sobre Comunicação de Más Notícias e Entrevista Familiar à Doação de Órgãos;

2) Sra. Priscila ressaltou o porquê iria falar primeiro sobre a comunicação de más noticias, e depois sobre a entrevista familiar. A comunicação é o mais importante para uma entrevista familiar. O que seria a comunicação? No latim comunicação significa tornar algo comum. Na comunicação são necessários um entrevistador, uma mensagem e um receptor. Essa mensagem precisa ser de boa comunicação. A comunicação pode ser verbal ou não verbal, sendo que 60% é comunicação não verbal. A expressão verbal precisa da não verbal. Exemplo: Uma senhora falando muito, brava e o rapaz não está interessado no que ela está falando. Então, isso expressa a comunicação não verbal. Outro exemplo é de um rapaz que mesmo quando não está falando, está se comunicando. Na entrevista familiar isso é muito importante. Um médico entrevistando uma família e dizendo que tem todo o tempo do mundo, mas fica olhando o relógio com a expressão de que precisa ir embora. O importante é o usuário do hospital saber diferenciar suas atitudes;

3) Sra. Priscila focou a importância dos sentimentos, dizendo que gostaria de entregar aos presentes uma mochila virtual onde, a partir do momento em que entrarem no hospital, poderiam colocar todos os fatores bons, ruins, positivos ou negativos. Explicou o porquê deste exemplo: quando vamos iniciar uma entrevista familiar ou a comunicação de uma má notícia, é importante lembrar que os familiares estarão abrindo essa mochila e falando tudo o que foi negativo durante o período em que ele esteve presente no hospital. Pediu para guardarem esta mochila para mais à frente, quando falaria sobre a entrevista familiar. Todas essas coisas são importantes, porque quando se comunica uma má notícia, e consequentemente, quando se faz a entrevista familiar para solicitar a doação de órgãos, é necessário se lembrar de três pilares: sentir, pensar e fazer. Isso possibilitará, primeiramente, ajuda familiar na entrevista. Não se deve simplesmente chegar perguntando: Vocês querem fazer a doação de órgãos? Primeiramente, deve-se ajudar esses familiares a diminuir a tensão da entrevista, e depois solicitar a doação de órgãos;

4) Sra. Priscila explicou que dependendo da forma como a pessoa é tratada na entrevista familiar, isso irá refletir em uma possível negação familiar. Há 30% da falta de entendimento de morte encefálica, do atendimento inadequado hospitalar e da entrevista realizada de maneira inadequada. É importante realizar uma conversa com a família para saber se ela entendeu corretamente o diagnóstico de morte, como foi o atendimento realizado para solicitar a doação de órgãos. Essa situação gera, então, a avaliação do doador para a extração de órgãos e tecidos. Através de um treinamento realizado com os enfermeiros sobre como proceder com a comunicação de más notícias, e consequentemente, como solicitar a doação de órgãos, houve um aumento de doadores efetivos no Serviço de Captação da Santa Casa;

5) Sra. Priscila passou a falar sobre a entrevista familiar. Deve ser realizada após o diagnóstico de morte encefálica, nunca antes. Como está vivendo esta família no momento da entrevista familiar? Ela está vivendo um processo de luto. Está com um ente querido hospitalizado, com esperança de recuperação. É importante lembrar que o profissional de saúde faz parte desse luto, porque os familiares estão em um lugar estranho com o parente em um lugar diferente. Em uma situação de luto há as seguintes fases: negação, revolta, barganha, depressão e aceitação. É importante a família saber do início do protocolo, porque é um direito da família. Ao tomar conhecimento da morte encefálica, a família conseguirá passar pela fase do luto, e quando chegar à entrevista familiar, ela já estará na fase de aceitação;

6) Sra. Priscila frisou a característica da entrevista familiar que é a necessidade de se ter um conteúdo. O entrevistador precisa saber toda a história do potencial doador, o que aconteceu com ele, todo o contexto, ler o prontuário médico, colher todas as informações, saber sobre o processo de doação de órgãos. Todas essas informações são importantes porque a família irá perguntar no momento da entrevista familiar. O entrevistador precisa também conversar com o médico antes, caso a família não doe os órgãos. É muito importante saber a diferença entre ouvir e escutar. Com relação ao ouvir, a pessoa pode estar falando e ninguém está prestando atenção. Já o escutar é quando a pessoa está prestando atenção no que a família está dizendo. Desta maneira, a família estará passando as informações necessárias sem que seja preciso perguntar diretamente. Também se deve lembrar do silêncio, pois isso é muito importante na entrevista familiar. As principais causas de recusa são: não entendimento do diagnóstico de morte encefálica; fé em milagres, não em religião, até porque todas as religiões são favoráveis à doação; revolta com relação ao atendimento hospitalar; ausência de manifestação em vida sobre doação de órgãos e tecidos, sem saber se era doador em vida ou não; medo que o corpo fique mutilado. Por isso, é importante que a família tenha entendido o diagnóstico de morte encefálica. Fatores que influenciam na doação: bom relacionamento entre equipe médica e a família, assistência médica adequada prévia ao paciente, conhecimento prévio da vontade do falecido. No momento da entrevista familiar, quando a mochila vai ser aberta e todos os fatores negativos vão aparecer, a família irá falar para o entrevistador o que aconteceu de errado ou certo durante o procedimento;

7) Sra. Priscila explicou que essa entrevista é realizada após o diagnóstico de morte encefálica, sendo que, então, nesse momento a família é levada até uma sala privada onde se possa oferecer água, lenço e telefone. O entrevistador deve se lembrar de ajudar a família a diminuir a tensão, para somente depois solicitar a doação. O profissional tem de ser honesto e transparente, porque tudo o que ele for falar na entrevista familiar precisa seguir todo um processo. Na entrevista familiar, é necessário lembrar-se das reflexões de emoções, já que a família vai passar o que ela está sentindo. É preciso demonstrar que se está ciente de que a família está em um momento muito difícil, prestar atenção nas palavras, tais como: boa tarde; bom dia; sinto muito; vejo que é um momento muito difícil para vocês lidarem com o contexto de morte. É importante coletar algumas informações: se o potencial doador era usuário de drogas, etilista, se tinha tatuagem, como era sua vida amorosa. O termo de doação pode ser assinado por parentes de primeiro ou segundo grau. Caso não tenha família, a doação é decidida pelo Ministério Público. Os entrevistadores devem ser transparentes e dizer claramente tudo o que irá acontecer;

8) Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra e fez a seguinte pergunta: “A experiência de vocês sobre comunicação mostra que há certas diferenças de abordagem, de acordo com o aspecto cultural do paciente, fator religioso e também nível social. A forma que vocês abordam deve ser moldada a isso também?” Sra. Priscila respondeu: “Primeiro, gostaria de dizer que não usamos o termo abordagem e sim entrevista familiar, porque abordar parece que você chega para intimar. A entrevista familiar é um caminho para mostrar para a família que ela pode doar os órgãos. Independente de qualquer nível social ou religião, é feita a mesma entrevista. Uma linguagem simples, a qual a família possa entender, dizendo tudo sobre o diagnóstico e o que irá acontecer.” Dr. Eduardo Sadao fez mais algumas perguntas e, então, passou a palavra às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes da Sra. Priscila Fukunaga. O debate poderá ser melhor acompanhado através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.org.br. Dr. Sadao agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA (Dr. Ednelson de Carvalho Alves – Nefrologista); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA (Sr. Othoniel Roberto Cavion – Coordenador Administrativo da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA; FEHOSP – não linkado; HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA; HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE RIBEIRÃO PRETO; SANTA CASA DE MIS. DE OURINHOS; FUNDAÇÃO AMARAL CARVALHO / JAÚ.

Participantes:

Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP).

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