Aleitamento Materno e Nutrição no 1º ano de Vida.

22/06/2009 - 11:00 hs às 12:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Me. Carmem Solange Badaró

Médica Assistente do Departamento de Pediatria da ISCMSP e professora da FCMSCSP.

1) A Prof.ª Me. Carmen Solange Badaró Marques iniciou a videoconferência agradecendo o convite e dizendo ser um prazer estar presente. Lembrou também que iria falar sobre nutrição no primeiro ano de vida, em especial, com relação ao leite materno;

2) Dra. Carmen começou sua apresentação dizendo que é importante que todos que mexem com nutrição de crianças lembrem que, devido ao período de desenvolvimento muito rápido, tanto no aspecto físico, emocional, como cognitivo e social, dependendo da fase em que está a criança, a recomendação dietética já pode ser feita. O baixo peso ao nascer e a restrição de crescimento fetal, associados ao ganho de peso exagerado na infância, são responsáveis por predizer a obesidade e adiposidade central que irá aparecer em um adulto jovem. Esses são fatores de risco para diabetes do tipo II, doença cardiovascular e dislipidemia. Dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) de 2006, realizada com mais de 15.000 mulheres e 5.000 bebês, mostra dados alarmantes: Cerca de 40% da população de mulheres com mais de vinte anos são portadoras de excesso de peso; 30% delas são portadoras de doenças crônicas, como hipertensão arterial e diabetes;

3) Dra. Carmen passou a falar sobre metas para pediatras: Redução no risco de carências nutricionais (40 a 80% da população têm anemia carencial ferropriva); acesso à água potável e saneamento básico; fornecimento adequado de nutrientes; redução do risco para doenças crônicas; proteger as vias aéreas da criança contra aspiração de substâncias estranhas; não exceder a capacidade funcional e metabólica do trato gastrointestinal e dos rins da criança. Na criança, como nos adultos, os carboidratos são importantes para gerar energia. A lactose, então, assume uma posição principal por causa do leite. Os demais carboidratos inclusos na dieta são provenientes dos vegetais. Essa substância é precursora de ácidos nucléicos e matriz do tecido conjuntivo. Os lipídios são importantes devido a suas funções energéticas e estruturais, além da interação na síntese hormonal. Os lipídios também atuam na reserva energética e liberação de ATP (triglicerídeos); isolantes térmicos; isolantes elétricos; componentes de membranas celulares; precursores de mediadores bioquímicos;

4) Dra. Carmen lembrou que os ácidos linoléico e linolênico são chamados essenciais, os quais o indivíduo não consegue produzir e, sim, precisa-se de fontes exógenas para adquiri-los. Já os ácidos aracdônico e docosahexanoico são chamados de precursores de ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa. As LCPUFAS são lipídios com 18 átomos de carbono ou mais e com mais de uma dupla ligação (insaturação) em sua estrutura química. Os ácidos DHA e ARA representam 15 a 20% dos lipídios do Sistema Nervoso Central. Durante o último trimestre de gravidez, o cérebro cresce aproximadamente 260%. Os bebês devem ser alimentados exclusivamente de leite materno até o sexto mês de vida. Também é importante pensar na manutenção do aleitamento materno até dois anos ou mais. Os riscos de substituir o leite materno pelo leite integral de vaca são: elevada carga de soluto renal; risco para anemia ferropriva; baixo conteúdo de ácidos graxos essenciais; alterações hormonais secundárias à alta concentração protéica; perfil de aminoácidos com estímulo ao aumento de insulina e somatomedina; inadequação de micronutrientes; baixo teor de vitamina C;

5) Dra. Carmen ressaltou que um fator preocupante é a grande oferta de alimentos para crianças menores de seis meses: queijo petit suisse, papas, suco, farinhas, frutas, alimentação da família, sopa, entre outros. Estratégias para alimentação saudável: aleitamento materno exclusivo até seis meses; utilizar fórmulas infantis na impossibilidade de leite materno; não utilizar leite de vaca integral não modificado. No caso de mãe precisar voltar ao trabalho, recomenda-se ensinar a técnica para armazenar leite materno. É importante que a mãe despreze os dois primeiros jatos de leite, pois geralmente é onde tem alguma colonização bacteriana. Lembrou que na geladeira esse leite dura 12 horas e no freezer dura até 15 dias. A ordenha pode ser manual, mas hoje já há uma infinidade de equipamentos especiais para extração de leite materno;

6) Dra. Carmen comentou que, quando não há possibilidade de alimentar com leite materno, as diversas fórmulas infantis são uma boa solução. Quando o bebê não consegue ingerir leite humano, ele tem maior incidência de infecção, de alergia alimentar e, nesse momento, começam os problemas. Às vezes há necessidade de fórmulas especiais. Exemplos: Alfaré (alergia alimentar, diarréia crônica e má absorção); NAN sem lactose (intolerância à lactose); NAN Soy (necessidade de exclusão da proteína animal e alergia às proteínas do leite de vaca); NAN AR (regurgitação). Outras estratégias para uma alimentação saudável: introduzir após seis meses outros alimentos compondo cardápio colorido equilibrado e balanceado; cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e verduras; incentivar o consumo de fontes de ferro e zinco de alta disponibilidade. Na Santa Casa de São Paulo, trabalha-se apresentando a Tabela de Biodisponibilidade dos Alimentos, que mostra o conteúdo de ferro dos alimentos e biodisponibilidade;

7) Dra. Carmen ressaltou mais algumas estratégias para alimentação saudável: Introduzir sucos naturais e limitar a ingestão (100 a 150ml por dia), administrando em copos ou xícaras; evitar açúcar, café, enlatados, refrigerantes, refrescos artificiais, balas e salgadinhos; ficar atento aos sinais de saciedade e não superalimentar; se houver recusa inicial, insistir, mas não forçar; estimular hábitos e estilo de vida em toda a família. Um estudo realizado pela Dra. Roseli Oselka sobre consumo alimentar de lactentes menores de um ano, analisou a frequência de ingestão semanal e mediana do número de vezes por semana que o alimento era ingerido, o qual mostrou que crianças menores de seis meses já consomem grande quantidade de queijos, biscoitos, macarrão instantâneo, entre outros. Medidas preventivas à alergia: aleitamento materno exclusivo até seis meses; fórmula parcialmente hidrolisada para pacientes de risco; adiar a introdução de alimentos sólidos; desaconselhar dietas restritas à mãe durante a gestação;

8) Dra. Carmen finalizou sua apresentação lembrando que o importante é prevenir, porque, algumas vezes, essas mães já têm um filho com alergia a leite de vaca e, por fazerem dietas durante uma nova gestação, poderão ter problemas futuros;

9) Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra e fez a seguinte pergunta: “Toda vez que se fala em alimentação, nós temos dois problemas, ou até mesmo três. Primeiro, muita coisa é distúrbio de alimentação e hábito alimentar, uma das coisas mais difíceis de adaptar. Segundo, o Brasil, por sua grande dimensão territorial, quando se vai ao nordeste, metade do cardápio, eu não sei o que é. Por fim, adaptar a comida para as diversas faixas sociais é muito difícil. Ou seja, é muito difícil adaptar todos esses hábitos para iniciar a dieta. Como você trabalha com isso?” Dra. Carmen respondeu: “Aí é que vai do pediatra saber a condição da família e o acesso que a família tem aos diferentes tipos de alimento. Mas acredito que, com medidas simples de aconselhamento em relação à escolha dos alimentos, você consegue propor uma boa refeição. Por exemplo, muitas folhas, como a de beterraba, são desprezadas, mas poderiam ser inseridas na papinha.” Dr. Eduardo Sadao tomou a palavra novamente e fez mais algumas perguntas. Passou, então, a palavra às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes da Prof.ª Me. Carmen Solange Badaró Marques. O debate poderá ser melhor acompanhado através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.org.br. Dr. Sadao agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA – não linkada (Dr. Gilberto Luiz Castro Vinhas – Cardiologista); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA (Funcionárias representando Dr. José Waldyr Fleury de Azevedo – Pediatra e Coord. Científico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA – ausente (Dr. Rubens Tofano de Barros – Cirurgião Cardiovascular e Coord. Cientifico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA (Sr. Othoniel Roberto Cavion – Coord. Administrativo da entidade, representando Dr. Walter Alonso Chécoli – Coord. Científico e Cardiologista, e equipe); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA (Dr. Aristides Camargo – Coord. Científico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA (Dr. João Paulo de Lima Pedroso – especialista em cirurgia torácica e Coord. Científico da entidade); FEHOSP (Funcionários representando Maria Fátima da Conceição – Gerente Técnica); HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA (Dr. André Ramos Neto – Ginecologista e Coord. Científico da entidade) e HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS (não linkado).

Participantes:

Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP).

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