Violência na infância.

15/12/2008 - 11:00 hs às 12:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Dra. Carmela Maggiuzzo Grindler

Coordenadora estadual do Programa Nacional de Triagem Neonatal e Coordenadora do Projeto de Implantação da Politica Nacional de Assistência Integral à Pessoa com Doença Rara do estado de São Paulo.

1) A Profa. Dra. Carmela Maggiuzzo Grindler Inicia a videoconferência apresentando alguns conceitos sobre violência, alguns valores da morbidade e mortalidade na infância, no Brasil em 2006 e encerra com as formas e os tipos de violência. a. “Não existe uma definição consensual ou incontroversa de violência. O termo é potente demais para que isso seja possível.” Anthony Asblaster – Dicionário do Pensamento Social do Século XX “Hoje não temos mais a opção entre violência e não violência. É somente a escolha entre não violência ou não-existência” Martin Luther King b. – Mortalidade geral em 1980 – 82,8 mortes para cada 1000 nascidos vivos – Mortalidade geral em 2006 – 26,6 mortes para cada 1000 nascidos vivos – Aumento de mortes por Idade versus Causas Externas 19,57% na faixa de 1 – 5 anos 36,55% na faixa de 5 – 9 anos 45,73% na faixa de 10 – 15 anos 71,53% na faixa de 15 – 19 anos (DATASUS 2006) c. Tipos de Violência: Extra – familiar, institucional, social, urbana, populacional, auto agressão e violência entre os iguais (Bullying);

2) Após a apresentação da Profa. Dra. Carmela Maggiuzzo Grindler, o Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine perguntou se existiria algum grupo multidisciplinar que atenderia casos de violência infantil desde a desconfiança quando o paciente chega ao hospital e como é orientada a formação desse grupo, existem assistentes sociais, área jurídica envolvida e um acompanhamento psicológico? A Profa. Dra. Carmela Maggiuzzo Grindler responde: – A formação inicia-se na graduação na matéria de Propedêutica e continua no 4º, no 5º e 6º ano, além disso, existe um grupo de assistentes sociais e acompanhamento psicológico para casos de violência infantil. O Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine então, passa a perguntar para as outras Santas Casas presentes: Ribeirão Preto com o Dr. Luiz Catena, Marília com a Dra. Leidimar, Sorocaba com a Assistente Social, Lucélia e Piracicaba com o Dr. Sergilson de Freitas Jr., que dão depoimentos de como agem em casos de violência no dia-a-dia das Santas Casas;

3) O Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine pergunta para a Profa. Dra. Carmela Maggiuzzo Grindler quem pode notificar casos de violência, é só o profissional de saúde ou não? A Profa. Dra. Carmela Maggiuzzo Grindler responde: – Quem notifica é a instituição, a notificação é institucional. Lorena, com o Dr. Déric, sugere que a melhor conduta seja primeiramente internar. Votuporanga acredita que a melhor conduta seja acionar o conselho tutelar e comenta a existência de um grupo especializado nesses casos, chamado CREAS; em Itapeva, Maria Aparecida, Auxiliar de Enfermagem diz acionar imediatamente o conselho tutelar e quando houver violência sexual, o médico legista;

4) O Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine pergunta para a Profa. Dra. Carmela Maggiuzzo Grindler, a respeito de um caso clínico, no qual a criança aparece com fratura no fêmur e nesses casos logo já ocorre a desconfiança de violência, assim qual deve ser o linguajar da enfermaria na hora de transmitir tal informação levantada á partir da suspeita. A Profa. Dra. Carmela Maggiuzzo Grindler responde: – Nunca se discute o caso na beira do leito e as histórias nunca são feitas em grupo, mas sim apenas por um profissional. E uma suspeita levantada por qualquer profissional, é levada em conta. Ao final da explicação a Profa. Dra. Carmela Maggiuzzo Grindler cita um caso de um aluno do primeiro ano de Medicina que, através do Programa, Santa Maluquice, suspeitou, ao brincar com crianças que estavam internadas, que uma delas poderia estar sofrendo violência, então esta suspeita não só foi considerada, como o trabalho todo que veio depois também foi acompanhado pelo o aluno, que como estudante, teve a possibilidade de experimentar uma situação que futuramente como profissional, poderá vir a passar;

5) Piracicaba demonstrou interesse pelos órgãos criados para esses tipos de casos de violência, como acontece em Marília e Votuporanga. Foi levantada também, a questão de abuso sexual, com um dado assustador apresentado pela Profa. Dra. Carmela Maggiuzzo Grindler extraído de uma pesquisa da American Human Association, de 450 mil casos em um ano e 1 em cada 3 mulheres americanas teriam sofrido de abuso sexual na infância e 1 em cada 6 homens. Este assunto é encerrado frisando, a importância estrutural da família e o quanto ela deve ser valorizada na avaliação;

6) No término da Conferência, o Dr. Thiago (Advogado), convidado da FEHOSP toma a palavra para comentar sobre os casos subnotificados, como foi evidenciado em Votuporanga e a Profa. Dra. Carmela Maggiuzzo Grindler encerra dizendo que existe um protocolo, algoritmos, para esses casos e que a rotina provavelmente será a melhor forma para triar mais, frente a demanda do que se acredita que deveria estar sendo triado, que deve ser um número muito maior. Destacando ao fim, a diferença entre notificação e denúncia, esta, cabe a outra hierarquia, para outras estâncias e quem as faz são os juízes, “nós profissionais apenas notificamos”.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA (Andréia – Auxiliar de Enfermagem, Maria Aparecida – Auxiliar de Enfermagem); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE LORENA (Dr. Derik – Cirurgião Pediátrico da Santa Casa de Lorena); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE MARÍLIA (Dra. Leidimar – Pediatra); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE PIRACICABA (Dr. Sergilson de Freitas Jr. – Cirurgião Pediatra da Santa Casa de Piracicaba); FUNDAÇÃO MATERNIDADE SINHA JUNQUEIRA (Ribeirão Preto) (Dr. Luiz Catena); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE SOROCABA (Lucélia – Assistente Social da Santa Casa de Sorocaba); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE VOTUPORANGA (Fernanda – Assistente Social); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE SÃO PAULO Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine, Profa. Dra. Carmela Maggiuzzo Grindler (Médica Responsável pela Enfermaria das Crianças Maiores de Três Anos Pediatria da Santa Casa), FEHOSP (Maria Fátima da Conceição , Gerente Técnicae Dr. Thiago, advogado).

Participantes:

Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância e Telemedicina da FCMSCSP).

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