Testes de Rastreio como Instrumento para o Auxílio no Diagnóstico da Doença de Alzheimer.

26/04/2010 - 08:30 hs às 10:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Cesar Theobaldo.

Palestrante: Me. Ednéia Aparecida de Paula

Psicóloga Clínica e Neuropsicóloga, colaboradora do Proter - IPQHCFMUSP.

1) A Me. Ednéia Aparecida de Paula iniciou a videoconferência agradecendo o convite por participar do projeto, lembrando que iria falar sobre Testes de Rastreio como Instrumento para o Auxílio no Diagnóstico da Doença de Alzheimer;

2) Me. Ednéia enfatizou que iria dar início ao importante diagnóstico precoce das demências, posteriormente sobre teste de rastreio cognitivo entre os quais selecionou o mini exame do estado mental, a fluência verbal semântica e o desenho do relógio. Estes testes foram selecionados porque eles avaliam as funções cognitivas que geralmente encontram-se deficitárias no inicio de uma síndrome demencial. Destacou que iria abordar também sobre escala de depressão geriátrica (GDS 30), como uma possibilidade de diagnóstico diferencial entre demência e depressão. Explicou a importância do diagnóstico precoce das demências. Como nós sabemos, com as descobertas da medicina para vários tratamentos, isso possibilita que as pessoas vivam melhor e por muito mais tempo. A idade é um fator de risco para síndrome demencial e o diagnóstico definitivo à maioria das síndromes demenciais depende do exame neuropatológico e o avanço de outros tratamentos farmacológicos e de outras intervenções não medicamentosas, como a arte-terapia, reabilitação neuropsicológica e musicoterapia. Então, todos estes tratamentos buscam a notificação de processos patogênicos. Devido a isso, é grande a necessidade de identificar a doença em seus estágios iniciais, porque assim o diagnóstico diferencial e etiológico carrega implicações terapêuticas e prognósticas;

3) Me. Ednéia apresentou as características dos instrumentos de rastreio cognitivo. Destacou que estes testes são breves e tem uma boa aceitação pelos pacientes, sem causar desconforto e resultar em reações defensivas, pois é fácil de administrar e corrigir, além de ser relativamente independente de variáveis como educação, cultura e linguagem. Esses testes têm boas propriedades psicométricas e abrangem amplamente as funções intelectuais, como: memória, linguagem, atenção, orientação e aponta para a possibilidade ou não de demência, ou seja, o teste de rastreio não lhe dará um diagnóstico; ele simplesmente vai possibilitar o raciocínio clínico do médico. Apresentou ainda o teste de mini-exame do estado mental, lembrando que o mesmo é um dos mais utilizado em todo o mundo e são várias as pesquisas com este exame de rastreio, pois ele avalia várias funções cognitivas como: orientação temporal, espacial, memória de fixação e de evocação, linguagem, apraxia, e leva em torno de cinco a dez minutos para aplicação. Cada pergunta correta equivale a um ponto e no caso de respostas erradas não se pontuam. Então, são várias as questões. Enfatizou algumas e explicou-as detalhadamente. Ao todo são 30 pontos ao término do questionamento, mas como avaliar o resultado disso? No Brasil, existem vários estudos sugerindo uma pontuação, mas o mais importante é seguir um único estudo. Apresentou um estudo como avaliação da Sonia Brucki, de 2003, onde considera-se o ponto de corte para analfabetos, 20 pontos; de um a quatro anos de escolaridade, 25 pontos; de cinco a oito anos, 27 pontos; de nove a onze anos de estudo, 28 pontos; e mais de onze anos de estudo, 29 pontos. Valores inferiores a esses informados já se deve uma investigação ou uma atenção maior;

4) Me. Ednéia passou a falar da influência verbal semântica. Frisou que na influência verbal semântica o avaliador vai solicitar ao paciente que ele cite quaisquer nomes de animais de qualquer espécie da forma mais rápida que ele puder, em um prazo estimado de um minuto. Agora qual a nota de corte? É sugerido que pessoas com escolaridade menor que oito anos, o paciente evoque, pelo menos, nove nomes de animais e com escolaridade maior que oito anos, no mínimo, treze nomes de animais. Para que serve a fluência verbal entre outras coisas? Um paciente com demência, além de produzir scores baixos, ou seja, evocar poucos nomes de animais, tendem a interromper a geração de palavras após 20 segundos do teste, como também evocam palavras já ditas sem perceber. Por exemplo: “Ele pode começar o teste dizendo: cachorro, leão, elefante, girafa…” daí quando chega nos 20 segundos parece que se tem um vazio. E mesmo com o avaliador estimulando, ele se interpreta dizendo: “Ai, eu esqueci. Não me lembro…” E começa a repetir as palavras já ditas. Pacientes deprimidos podem apresentar scores baixos também, podem trazer um número menor de nomes de animais, mas tendem a gerar palavras todo minuto, estão mais lentos, mas vão evocando os nomes e não dizem palavras já ditas. Explicou também um exame, o qual chamado de Desenho do Relógio, passando passo a passo sua administração;

5) Me. Ednéia passou a falar da escala de depressão geriátrica. Apresentou a GDS 30, que em alguns trabalhos aponta como uma escala que tem boas propriedades para aferir as síndromes demenciais e solicita-se ao paciente que responda às questões, por exemplo: “Se ele está satisfeito com a sua vida sim ou não, se deixam muitos de seus interesses e suas atividades, enfim”. As respostas depressivas são pontuadas, sendo: respostas de zero a dez são consideradas como resultado normal; de dez a vinte é sugestivo de uma depressão leve; de 21 a 30 de depressão moderada ou severa. Qual a caracterização da síndrome demencial pelo DSN4? O primeiro critério é um desenvolvimento de déficits múltiplos que se caracterizam por comprometimento da memória e de pelo menos outra disfunção cognitiva, como: afasia, apraxia, agnosia ou disfunção executiva. O curso é caracterizado por início gradual e declínio cognitivo contínuo. Deu ênfase na seguinte frase: “Prejuízos sociais e ocupacionais significativos, representando um declínio em relação ao nível prévio de funcionamento”. Para caracterizar uma síndrome demencial é preciso ter, necessariamente, um declínio na atividade da vida diária do paciente, ou seja, do funcionamento do dia a dia. Apresentou a escala de avaliação Pfeffer, a mesma aplicada pelo cuidador ou pelo familiar, sendo que ele que irá fazer a observação da rotina do paciente após a queixa. Essa escala não vai avaliar como o paciente sempre ágil, mas pode identificar alguma dificuldade a partir do momento da queixa. Contam-se todos os pontos após o término desse questionário. Uma pontuação superior a cinco já equivale a um comprometimento funcional;

6) Sr. César Henrique Theobaldo (Gerente do Departamento de Informática da FCMSCSP) tomou a palavra e passou às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes da Me. Ednéia Aparecida de Paula. O debate pode ser acompanhado na íntegra no vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.com.br. O Sr. César agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA – não linkado; IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA; IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA – não linkado; IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA; IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA – não linkado; IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA – não linkado; FEHOSP; HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA – não linkado; HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE RIBEIRÃO PRETO; SANTA CASA DE MIS. DE BARRETOS; FUNDAÇÃO AMARAL CARVALHO/JAÚ; SANTA CASA DE MIS. DE OURINHOS – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE FRANCA; SANTA CASA DE MIS. DE SANTOS; CASA DE SAÚDE SANTA MARCELINA; SANTA CASA DE VOTUPORANGA – AME SANTA FÉ DO SUL – não linkado; SANTA CASA DE VOTUPORANGA – AME JALES – não linkado; FUNDAÇÃO PADRE ALBINO – não linkado; SANTA CASA DE MOGI MIRIM – não linkado; SANTA CASA DE RIO CLARO – não linkado; HOSPITAL PRÓ-VISÃO – não linkado; SANTA CASA DE MOCOCA – não linkado; SANTA CASA DE SANTO AMARO – não linkado; HOSPITAL GERAL DE CARAPICUÍBA – não linkado; SANTA CASA DE BURITAMA– não linkado.

Participantes:

Sr. César Henrique Theobaldo (Gerente do Departamento de Informática da FCMSCSP).

Sem apresentação de powerpoint.