Relação Médico/Paciente e Familiares.

16/12/2008 - 11:00 hs às 12:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Dr. Reinaldo Ayer de Oliveira

Conselheiro do CREMESP.

1) A Videoconferência inicia com uma breve apresentação do Dr. Reinaldo Ayer de Oliveira que amplia o conceito de relação médico/paciente para uma relação entre profissionais da saúde, paciente e familiares, no entanto, trata-se de uma relação assimétrica, que possui de um lado alguém que detém um saber e do outro lado o paciente que se sente dependente desse conhecimento. Esse conceito, porém, caminha para um processo simétrico no qual a relação pode passar a ser vista como profissionais da saúde, doença e doente. A relação médico/paciente é por excelência uma relação humanista. E muitas vezes essa relação deixa de ser somente médico paciente e por motivo, por exemplo, dos fatos ou do espaço, como uma UTI, a relação acaba sendo entre médico e familiares;

2) O Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine pergunta para o Dr. Reinaldo Ayer de Oliveira: “Como se constrói uma boa relação médico paciente e como tomar cuidado para que ela não se destrua? Três momentos são delicados: a) O primeiro Contato; b) O grau de atenção dado no relato da vida, da história do paciente e concomitantemente a avaliação do paciente, se o que o médico fala coincide com uma lógica que ele entenda; c) O Pós-atendimento, confrontando o que lhe foi dito com amigos, outros médicos, mídia e principalmente a internet;

3) O Dr. Thiago (Advogado) da FEHOSP pede para o Dr. Reinaldo Ayer de Oliveira para que comente a respeito de uma situação apresentada atualmente no Rio de Janeiro, na qual os pacientes são atendidos em pé no consultório, pelo motivo, também, de aumentar a rotatividade, no entanto o paciente se sente acuado e o que acontece com a relação médico paciente? O Dr. Reinaldo Ayer de Oliveira comenta: – “É desumano e nem o mínimo, a etiqueta, existe” Comentou também, sobre um projeto de uma faculdade de Medicina de São Paulo, no qual foi colocada uma câmera na parte de fora do consultório pediátrico, e em 80 por cento das vezes a mãe não entendia a explicação dada pelo médico!!;

4) O Dr. João Paulo de Lima Pedroso (coordenador Científico da Santa Casa de Mis. De Votuporanga) falou sobre uma situação na qual os médicos da urgência e emergência em situações de mortes traumáticas ou pacientes que vão para UTI, não conseguem lidar direito com a situação, e faz uma pergunta para o Dr. Reinaldo Ayer de Oliveira, sobre situações de óbito que são informadas para família por telefone e que no ponto de vista dele é muito ruim, tendo o total apoio do Dr. Reinaldo Ayer de Oliveira, que é completamente contra informar a morte de um familiar pelo telefone;

5) O Dr. Rubéns Tofano de Barros, Corodenador Científico da Santa Casa de Misericórdia de Marília, comenta sobre a vinda do paciente à consulta com o seu diagnóstico já pronto e colocando muitas vezes a culpa da sua doença no médico, ou segundo as informações que obteve que sua doença é incurável, e assim, começando muito mal o primeiro contato médico paciente;

6) São apresentados dois relatos pela Sra. Maria Fátima da Conceição (Gerente Técnica) da FEHOSP, que evidenciam momentos de negligência dos profissionais da saúde, ou falhas do sistema que colocam o paciente em situações humilhantes, degradantes e causando sofrimento, assim a Sra. Maria Fátima da Conceição afirma que toda a relação não é só médico/ paciente, mas envolve muitos profissionais da saúde. Dr. João Paulo de Lima Pedroso, coordenador Científico da Santa Casa de Misericórdia de Votuporanga participa dos comentários e dá um relato de um médico que atendia com bastante cuidado e muita calma os pacientes, e por isso foi demitido, uma vez que demorava mais de meia hora em cada paciente!;

7) No final da videoconferência o Dr. Osório, cirurgião da Santa Casa de Itapeva diz que a relação médico paciente se constrói sobre dois pilares: a) Formação médica adequada b) Humanização E afirma que: “por muitas vezes o ambiente que um médico trabalha é desumano, filas pacientes revoltados, etc. não adianta você ter uma boa educação médica e não ser humano e não adianta você ser bonzinho demais e não saber explicar nada para o paciente; é muito difícil você humanizar um ser humano, mas deve-se treinar esse indivíduo com ética, respeito, humanização e para isso você tem que fazer um protocolo para o médico, para o sistema, humanizando algumas ações”;

8) O Dr. Reinaldo Ayer de Oliveira encerra comentando sobre um projeto de sistemas de simulação a serem praticados nas faculdades de Medicina, uma vez que, ao longo do tempo de formação o aluno vai se desmoralizando, tornando-se dissimulado, individualista abandonando uma série de preceitos que aprendeu em casa, então talvez seja mesmo o caso de insistir em treinamentos para forçar de alguma forma que esses alunos não percam essa humanização. O. Dr. Eduardo Sadao Yonamine comenta algo sobre o que possa estar faltando em um curso na área de saúde, talvez um curso de gestão de relacionamento e encerra a sessão, agradecendo a presença de todos.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA (Dr. Osório – Cirurgião da Santa Casa de Itapeva); IRM. DA SANTA CASA DE MIS DE LORENA (Problemas técnicos); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE MARÍLIA (Dr. Rubéns Tufano); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE PIRACICABA (Ausente); FUNDAÇÃO MATERNIDADE SINHA JUNQUEIRA (Ribeirão Preto) (Ausente); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE SOROCABA (Ausente); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE VOTUPORANGA (Dr. João Paulo de Lima Pedroso) (Coordenador Científico da Santa Casa de Mis. de Votuporanga ), FEHOSP (Maria Fátima da Conceição-Gerente Técnica e Dr. Thiago- Advogado FEHOSP).

Participantes:

Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância e Telemedicina da FCMSCSP).

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