Pioartrite.

22/04/2009 - 11:00 hs às 12:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Prof. Dr. Miguel Akkari

Chefe do Grupo de Ortopedia Pediátrica da Santa Casa de São Paulo.

1) O Prof. Me. Miguel Akkari iniciou a videoconferência dizendo que não iria dar uma aula sobre “Pioartrite”, e sim citar alguns pontos interessantes sobre o tema, o qual seria debatido após sua apresentação;

2) Dr. Miguel comentou sobre o Caso Clínico de uma criança com “Pioartrite” no quadril, indagando: “Por que no quadril?”. Porque geralmente é onde esses processos infecciosos passam despercebidos na criança. Ressaltou também, que é muito comum a doença passar despercebida nestes ossos, por ser uma articulação profunda. Da radiografia inicial, observa-se um processo infeccioso de agressividade no quadril. Nesta subluxação de quadril, radiograficamente na imagem, nota-se que este é um quadril com problema, frente a todo o quadro clínico que vocês vão colher na história de uma dor intensa, fechando ou não o diagnóstico como um processo infeccioso, o qual nem sempre é fácil. Frisou que é um caso em que foi drenado e que está na Santa Casa de São Paulo há muitos anos. No pós-operatório, notou-se que esta cartilagem deveria ter algum sofrimento. Teve grande evolução após um mês. Este quadril subluxou, e houve absorção de processo de destruição e agressividade. Salientou: ”O que fazer numa situação destas? Deve-se fazer uma drenagem via posterior em que se observa uma saída de grande quantidade de tecido purulento ou secreção purulenta, a qual não sangrava. Este é um processo extremamente ruim, porque se depara com uma “Pioartrite”, na qual há grande quantidade de pus. Significa que se deixou de fazer o diagnóstico no momento certo, pois, esta criança já apresentava um quadro infeccioso há muito tempo. O tratamento, no entanto, ocorreu tardiamente”;

3) Quadro Clínico Laboratorial, Exames de Imagem e Tratamento: Dr. Miguel resumiu: “O quadro apresentava dor e aumento de volume na articulação do quadril, isto é, nem sempre é possível visualizar numa articulação mais profunda. Nos exames laboratoriais, o paciente pode apresentar febre ou não, dependendo do quadro imunitário da criança. Com os sinais, mostra-se infecção bacteriana. Nos exames de imagem, nem sempre a radiografia pode apresentar alterações precoces, e para um diagnóstico mais preciso, devem ser usados outros tipos de exames (imagem), como: ultrassom, ressonância magnética, tomografia.” Frisou ainda que cada situação é diferente, e o médico terá a posição de indicar ou não um destes exames citados. Estes exames, geralmente, mostram, num estágio inicial, um aumento de volume, principalmente na ultrassonografia. Citou que: “A Ressonância é um exame maravilhoso para se verificar se há comprometimento ósseo e também, claro, a quantidade de líquido articular. Em crianças de baixa idade, este exame requer uma anestesia para que elas possam realizar o exame.” Tratamento: Dr. Miguel comentou que “não é só o tratamento clínico e o pós-cirúrgico, é uma conjunção de situações que deverão ser discutidas agora”;

4) O curso da doença, como qualquer processo infeccioso, envolve: aneroxia, febre e irritabilidade. Enfim, o quadro de defesa da criança. Dr. Miguel citou um exemplo de um paciente prematuro numa UTI, provavelmente sendo tratado por algum outro processo infeccioso pulmonar. Uma criança que, dificilmente, vai se exteriorizar com febre pela sua prematuridade e, eventualmente, os exames laboratoriais podem mostrar infecção, mas, será atribuída ao processo infeccioso de outro local, como uma Pneumonia em tratamento, por exemplo. Dr. Miguel ressaltou ainda que não é fácil diagnosticar a Pioartrite, porém, o exame clínico é a melhor opção, pois a criança reage com dor, ou seja, quando se faz a manipulação daquela articulação específica, não se deve esperar a exteriorização de sinais fogísticos numa articulação profunda, porque isto já é um diagnóstico tardio;

5) Diagnóstico: a “Punção” é sempre válida e é um recurso simples de diagnóstico, eventualmente, muito melhor do que vários exames de imagem. ”Quando uma punção apresenta pus, já está feito o diagnóstico e tem que ser muito prático nesta situação, principalmente, em situações em que se encontra dificuldade em conseguir exames laboratoriais“. Quadro de Leucocitose pode estar presente. O aspecto do líquido é muito mais importante do que aguardar a cultura, em torno de 50% de positividade na maioria dos casos, já sendo possível autorizar o início do tratamento ortopédico;

6) Pioartrite: “Nós devemos encarar como uma verdadeira emergência e ir atrás de seu diagnóstico de forma prática e não tentar fazer o diagnóstico com exames sofisticados, porque muitas vezes estamos perdendo a chance de salvar aquela articulação”, frisou Dr. Miguel;

7) Algumas controvérsias na literatura: a limpeza com artroscopia ou com punções sequenciais pode ser considerada outra divergência na literatura. “Qual o melhor acesso: posterior ou anterior?” Dr. Miguel ressaltou que essa dúvida e outros pontos são considerados controversos na literatura, os quais seriam tratados durante a discussão com as demais entidades presentes;

8) Dr. Miguel lembrou também como se deve fazer o pós-operatório de uma criança. “Depende de cada articulação que foi drenada. A idéia do tratamento precoce é tentar evitar ao máximo a destruição óssea que esta infecção irá promover”. O doutor abriu a sessão para comentários e questionamentos sobre o tema exposto para as entidades participantes;

9) Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra e fez seus comentários sobre o tema, indagando sobre qual a rotina de uma criança de baixa idade. ”Onde ela passa primeiro: na Ortopedia ou Pediatria?” Dr. Miguel prontamente respondeu: “Geralmente estas crianças vão ao Pediatra, pois, o mesmo está treinado para dar o diagnóstico precoce.” Dr. Sadao tomou a palavra novamente e passou às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes do Prof. Me. Miguel Akkari. O debate poderá ser melhor acompanhado através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.org.br. Dr. Sadao agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA (Funcionários representando Dr. Gilberto Luiz Castro Vinhas, Cardiologista, Coord. Científico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE LORENA (Dr. Sérgio Roberto M. Zuppi, Ortopedista da entidade e Dr. José Waldyr Fleury de Azevedo, Pediatra, Coord. Científico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE MARÍLIA – ausente (Dr. Rubens Tofano de Barros, Cirurgião Cardiovascular e Coord. Cientifico); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA (Sr. Othoniel Roberto Cavion, Coord. Administrativo representando Dr. Walter Alonso Chécoli, Coord. Científico, Cardiologista); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE SOROCABA – ausente (Dr. Aristides Camargo, Coord. Científico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE VOTUPORANGA (Dr. João Paulo de Lima Pedroso, especialista em cirurgia torácica, Coord. Científico da entidade); FEHOSP – ausente (Maria Fátima da Conceição, Gerente Técnica); HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA – não linkado (Dr. André Ramos Neto, Ginecologista e Coord. Científico da entidade) e HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS (não linkado).

Participantes:

Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP).

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