Lombalgia.

18/02/2009 - 19:00 hs às 20:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Robert Meves

Professor Assistente do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da FCMSCSP (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo).

1) O Prof. Dr. Robert Meves inicia a videoconferência frisando que 80% da população apresentam ou vão apresentar “dor nas costas” e estudos demográficos mostram que não há diferenças raciais, porém, acometem mais em mulheres, tabagistas, pessoas altas e com baixo nível sócio-econômico. Comentou que o que se discute hoje em termos ortopédicos são os transtornos dos discos intervertebrais, na verdade, o desgaste da doença ou do envelhecimento do disco, a partir dos 15 aos 35 anos de idade que podem ser vistos hoje, com ressonância magnética, e depois dos 35 a 65 anos de idade, começa a aparecer instabilidade secundária da alteração degenerativa, que é o escorregamento entre as vértebras e por fim, na fase da estabilização com cerca de 60 anos de idade pela formação de artrose etc., isto leva a um estreitamento do canal vertebral. Outras dores que não são bem definidas são associadas à lombalgia, como por exemplo: a osteoporose entre outras, como traumas como: tumores, osteomelítes que são afecções das vértebras que causam também a lombalgia, frisou o Dr. Robert;

2) Estatísticas: Destes 80% da população que apresentam dor nas costas, ou seja, lombalgia, apenas 14% mantém esta por duas semanas, frisou o Dr. Robert. Por volta dos 15 aos 35 anos de idade observa-se na ressonância magnética a desidratação que é o disco preto, que é fase inicial do crescimento do disco, e por volta dos 35 aos 60 anos de idade, observa-se: alteração do diedema, perto do disco intervertebral, já denota um quadro de lombalgia, comentou o Dr. Robert;

3) Tratamento: Dr. Robert comentou sobre o arsenal que existe hoje em dia para o tratamento de lombalgia dentre elas: esterilizações dinâmicas feitas com parafuso, artroplastia, fixações dinâmicas etc. Levar em consideração o nível de tratamento para a Associação de Ortopedia e Traumatologia e o CREMESP, adotando assim, condutas de acordo com o número de casos e que deve ser muito discutido, chegando-se a um bom senso para o tratamento, frisando que a Ressonância Magnética é muito importante hoje para um diagnóstico completo, porém, também associados a exames clínicos quando solicitado, e os casos chegam à cirurgia quando apresentam algum quadro neurológico, justificou o Dr. Robert;

4) Existem várias técnicas cirúrgicas, cujo maior grau cirúrgico é o paciente com dor na perna. O tratamento mais aceito e consensual é a artrodese pós-lateral. O Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine tomou a palavra e fez uma pergunta para discussão ao Dr. Robert, principalmente sobre diagnóstico diferencial e também, o custo social da dor lombar, frisando que esta “tem um peso hoje nos funcionários”, por motivo de muitos atestados médicos de afastamento, a dor tende a se tornar crônica e do ponto de vista social ela acaba se tornando muito cara, comentou o Dr. Sadao. Frisou também os casos principais em relação ao paciente que chega com dor ao médico e muitas vezes esta dor não está relacionada a um problema ortopédico. O Dr. Robert respondeu: – “Os americanos mostram o custo social em lombalgia, em termos de afastamento de trabalho, compensação financeira e tratamento cirúrgico, o valor em dólares é um absurdo”. Comentou também, que primeiro: o paciente chega ao ortopedista, mas, o que diferencia um diagnóstico de lombalgia degenerativa ou muscular é o quadro de estado geral em que o mesmo se encontra como: febre, dor lombar, pleural, pneumonia, pancreatite, dores viscerais intensas, infarto e algumas vezes em casos ginecológicos, comentou o Dr. Robert;

5) O Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine perguntou para as entidades participantes se havia ocorrido nas mesmas, alguns diagnósticos diferenciais sobre o tema e estas foram tirando suas dúvidas com o Dr. Robert, cujas respostas foram dadas com precisão, discutindo tratamento etc., voltado ao tema proposto. O Dr. Emílio Muradi (especialista em coluna) da entidade de Marília, por exemplo, gostaria que o Dr. Robert falasse mais sobre a discografia, pois, estes exames não têm muito a acrescentar como imagem gráfica. Dr. Robert respondeu: “O problema da discografia deve ser sempre analisado pelo cirurgião que trata o paciente porque muitas vezes o laudo vem de um radiologista que acompanhou o caso, e na verdade, você deve fazer a discografia provocativa, dos níveis normais, verificar como este paciente sente esta dor, e observar o disco, se houve alteração do exame de ressonância magnética e injeção contrastada do disco regenerado, autorizado a tratar cirurgicamente”. Ressaltou também, que o que se observa hoje é que a grande maioria dos cirurgiões em coluna não leva em conta a discografia para definição de tratamento, pois, acaba não ajudando como efeito pós-operatório, comentou o Dr. Robert;

6) Dr. João Paulo de Lima Pedroso, Coordenador Científico da Santa Casa de Votuporanga, fez um comentário importante sobre o que acontece em sua entidade, onde aprecem muitos casos com lombalgia, mas, com metástases e neoplasias do pulmão, frisando, que o primeiro sintoma é lombalgia, mas acaba sendo um câncer de pulmão, afirmou o Dr. João Paulo. O mesmo aproveitou e perguntou ao Dr. Robert como se deve proceder nestes casos em que a ressonância apresenta várias alterações na imagem e muitas vezes, o paciente se aproveita para tirar vantagens para se aposentar, por exemplo, e tentar cronificar o seu problema quanto ao afastamento médico e o perito muitas vezes não é um ortopedista, ou um especialista em coluna. Dr. Robert respondeu: “Esta questão foi muito interessante, porque é o que se observa no dia-a-dia e que no resultado da ressonância, existem grandes chances de vir um laudo de doenças com causas degenerativas e isto, muitas vezes fica como uma arma ao paciente que quer ter um ganho secundário.” Frisou que: ”Hoje está havendo um abuso da identificação da ressonância magnética”. Ressaltou que primeiro deve-se evitar o abuso, e segundo, em alguns seguros, dizendo que muitas vezes já vem escrito: ”não vale para hérnia discal ou lombar”, comentou o Dr. Robert. Foram sendo esclarecidos dúvidas e conceitos a respeito do assunto. As mesmas foram respondidas com muita precisão pelo Dr. Robert entre todas as entidades participantes. Todos poderão acompanhar melhor através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.org.br. Dr. Robert finalizou enfatizando a história natural da lombalgia muscular ou mesmo degenerativa benigna e sobre a importância do diagnóstico diferencial, enfatizando a importância do exame neurológico. Dr. Sadao agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA Dr. Marcelo, Ortopedia, representando (Dr. Gilberto Luiz Castro Vinhas – Cardiologista; IRM DA SANTA CASA DE MIS DE LORENA (Fisioterapeuta Tani Aparecida Placer representando o Dr. José Waldir Fleury de Azevedo – Pediatra); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE MARÍLIA (Dr. Rubens Tofano de Barros – Cirurgião Cardiovascular); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE PIRACICABA (Sr. Othoniel Roberto Cavion, Coordenador Administrativo e equipe do Raio-X, representando o Dr. Walter Alonso Chécoli – Cardiologista); FUNDAÇÃO e MATERNIDADE SINHA JUNQUEIRA (Ribeirão Preto- ausente-evento) (Dr. Luiz Alberto Ferriani, e Sr. José Carlos Moura); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE SOROCABA (ausente); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE VOTUPORANGA (Dr. João Paulo de Lima Pedroso e colaboradores; FEHOSP (Maria Fátima da Conceição- Gerente Técnica –férias), HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA (não linkado – férias) e HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS (não linkado).

Participantes:

Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP).

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