Inovações tecnológicas: monitoramento de diabéticos a distância.

29/03/2011 - 10:30 hs às 12:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Enfa. Paula Pascali

Enfermeira da Preventa Consultoria e Saúde Especializada em Diabetes, Consultora Técnica para Industria Farmacêutica, Coordenadora do Departamento de Enfermagem da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2006 a 2009 e Membro Conselho da ADJSP e ANAD.

1) Enf.ª Ana Paula Pascalli iniciou a videoconferência frisando sobre uma questão importante que dá um indício de uma epidemia como diabetes Mellitus. Falou que diabetes é um grupo de doenças metabólicas caracterizada por hiperglicemia, devido ao defeito na secreção de insulina, na sua ação ou ambos. Os três tipos mais comuns entre as diabetes são: diabetes tipo 1 (que antigamente era conhecida como a diabetes da criança, juvenil. Hoje existem casos de adultos que desenvolvem essa doença), diabetes tipo 2 e diabetes gestacional, que hoje em dia está muito comum. Falou que em 2000 tinha uma estimativa de 171 milhões de pessoas com diabetes no mundo. Em 2010 aumentou para 40% essa estatística e para 2030 chegará a marca de quase 366 milhões de pessoas com diabetes, ou seja, em trinta anos poderá ser observado que dobrou o número de pessoas com diabetes no mundo. Isso dá uma caráter de epidemia e que realmente é preciso atenção. Quando fala-se de tratamento de diabete, existem algumas ações primordiais, ou seja, um plano alimentar adequado, de atividade física orientada, medicamentos, sejam eles anti-diabéticos oral ou as insulinas, até mesmo os próprios medicamentos injetáveis não insulina, permeando tudo isso um programa de educação para que o paciente consiga entender e conviver com esta rotina e para ter uma ferramenta importante no tratamento que é a monitoração. Os dados oriundos dos valores de glicemia domiciliares norteiam o tratamento, portanto pode-se dizer que a monitoração faz parte do tratamento de diabetes. Não existe ajuste terapêutico sem avaliação dos valores glicêmicos. Mas se não fizer a monitorização tem exame em jejum, de glicemia, que pode ser feito no laboratório e falou de um marcador importante de hemoglobina glicada. Ele norteia se o ajuste terapêutico está no caminho certo, mas não serve para o ajuste. E da mesma forma a glicemia de jejum serve também como diagnóstico, não para ajuste terapêutico;

2) Enf.ª Ana Paula explicou que em relação a valores, a sociedade brasileira de diabetes mostra que é importante conhecer a meta a ser atingida em cada faixa etária para que esses pacientes possam ter uma vida saudável e longe das complicações. Para cada meta glicêmica confere uma hemoglobina glicada, e esta faixa de hemoglobina de acordo com a faixa etária é aceitável e coloca o paciente fora do risco das complicações crônicas. Falou sobre complicações como, por exemplo, a retinopatia, doença renal, neuropatia, pé-diabético e também que quanto pior o controle maior o risco das complicações, levando ao óbito ou a danos sociais bastante significativos. Ressaltou que existe uma situação social extremamente importante que não deve ser esquecida. Quando se trata de risco de doenças cardiovasculares e de perda de visão, o paciente portador de diabetes possui um risco elevado. Nos EUA e na Inglaterra aconteceu a primeira causa de perda de visão. É de conhecimento que em 15 anos, em média, essa patologia está sem controle e que existe um risco de 95% da retinopatia e se forem observados os leitos de hemodiálise, 26% são de pessoas com diabetes. Um estudo desenvolvido em 1990, nos EUA e no Canadá, com aproximadamente 1400 pessoas com diabetes, onde houve um grupo controle e um grupo que desenvolveu uma monitoração intensiva, aconteceu um ajuste terapêutico rápido, múltiplas aplicações de insulina e ao término deste foi observada uma redução significativa das principais complicações do diabetes. Teve uma redução de mais de 50% de complicações para aquelas pessoas que tiveram um ajuste terapêutico rápido, que realizaram monitoração intensiva, tomaram seus medicamentos de forma correta e foram bem orientados a curto médio e longo prazo;

3) Enf.ª Ana Paula passou a falar dos custos estimados. Tratando-se da monitoração intensiva, hoje a sociedade brasileira de diabetes preconiza o mínimo três monitorações de glicemia domiciliar por dia. Colocando isso em termos de custo, três monitorações por dia custam R$ 77,00. Falou que o custo de uma internação hospitalar fica em torno de R$ 1.200,00 por dia. Se esse paciente precisar de uma UTI, esse custo chega até R$ 5.000,00. Falou do leito de hemodiálise com custo de R$ 900,00. Se esse paciente tiver um infarto agudo do miocárdio, tem um custo variado de R$ 7.000,00 a R$ 20.000,00. Falou que o risco de ulceração para aquelas pessoas que têm a complicação da neuropatia que evoluem para o pé-diabético, o cuidado para essa úlcera cicatrizar custa em media de R$ 6.000,00. Ressaltou que é preciso avaliar e reduzir imediatamente a exposição desse paciente a essas complicações. Disse que para atingir esses resultados, os ajustes rápidos fazem muita diferença para o controle e na redução das complicações. Quando se fala em ajuste rápido, trata-se da agilidade na interpretação dos resultados, no programa de monitoração, o programa de avaliação rápida e o programa de acompanhamento. Disse que se existir um norte com estes quatro pilares, com certeza será um paciente bem orientado, bem assistido e essas complicações serão reduzidas ou a tendência será de nem existirem. Falou ainda que ajuste rápido para o tratamento desse paciente serve para o bom controle e evitar as complicações, e que hoje existe o recurso da telemedicina, que eé um serviço ligado à saúde nos casos onde a distância é um fator crítico, ou seja, a telemedicina vai de encontro ao diagnóstico, a prevenção de doenças, a educação continuada e será útil para a avaliação e a pesquisa. Falou que a telemedicina serve na questão de diminuir o deslocamento destes pacientes porque às vezes isso é o impedimento. Tratando-se de ajuste rápido, tem às vezes a dificuldade de conversar com estes profissionais que vão promover os ajustes. Passou a falar de mais alguns fatores que são favoráveis em se tratando de telemedicna. Explicou em detalhes o kit de monitoramento e como é feito o monitoramento;

4) Enf.ª Ana Paula apresentou alguns gráficos de medições explicando-os detalhadamente e tratou também a respeito das médias semanais e da variabilidade Glicêmica. Ressaltou que o relatório do gestor é importantíssimo, onde pode-se ter uma ideia de quais pacientes não estão realizando a monitoração. Ao observar este relatório é possível ver uma condição melhor de administrar o trabalho. As possibilidades de configuração são todas personalizadas e o programa dá a oportunidade de colocar as metas, limites de hiperglicemia individuais, que não necessariamente precisam ir de encontro as metas da Sociedade Brasileira de Diabetes e sim ao momento de cada paciente. Para finalizar, colocou alguns pontos importantes. Todo este processo não necessita de um aparelho de computador, não necessita de um software, muito menos de cabo, plug e nenhuma internet no momento de transmitir os dados. Permite uma aplicação de protocolo específica para o diabetes, porque é possível criar novos relatórios em cima desse programa. No programa através dos relatórios específicos de gestores, existem condições de avaliar quantas tiras reagentes estão sendo utilizadas por mês e de que forma. Existe aí um gerenciamento de como o diabetes está sendo tratado, com qual periodicidade tem estes ajustes da glicemia. O programa permite avaliar e mostrar a aderência desse paciente ao processo da patologia e, especialmente, da monitoração.

5) Sr. Paulo Ricardo Giusti da Silva (Gerente de Tecnologia Educacional) tomou a palavra e passou para as entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes da Enf.ª Ana Paula Pacalli. O debate pode ser acompanhado pelo vídeo do evento disponível na página do projeto EDUCASUS www.educasus.com.br. Sr. Paulo Giusti agradeceu a presença de todos e encerrou a sessão.

Entidades participantes:

HOSPITAL PRÓ VISÃO, SANTA CASA DE ITAPEVA, SANTA CASA DE SANTOS, SANTA CASA DE VOTUPORANGA E FEHOSP.

Participantes:

Sr. Paulo Ricardo Giusti da Silva (Gerente de Tecnologia Educacional).