Impacto Médico e Social da SEPSE.

29/11/2010 - 11:00 hs às 12:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Dr. Eliézer Silva

Livre Docente pela Universidade de São Paulo. Gerente do departamento de pacientes graves do Hospital Israelita Albert Einstein.

1) Dr. Eliézer Silva iniciou a videoconferência destacando que o tema Sepse vem sendo discutido em vários fóruns, tanto na área de medicina intensiva quanto clínica médica, cirurgia e anestesia, devido à abrangência do tema e ao impacto que ele tem tido na sociedade brasileira e no mundo. Destacou que abordaria alguns conceitos de Sepse, pois isso tem mudado ao longo do tempo, disse também que trataria de aspectos epidemiológicos, de custos e abordaria sobre a campanha “Sobrevivendo à Sepse” que tem ganhado um novo alcance e, consequentemente, um novo impacto. De acordo com um consenso idealizado em 1991 pela cidade americana de terapia intensiva e publicado em 1992, a Sepse foi colocada como uma síndrome relacionada a uma resposta inflamatória sistêmica, desencadeada por um processo infeccioso;

2) Dr. Eliézer ressaltou que a grande questão é que esta resposta inflamatória sistêmica caracterizada por febre, leucocitose entre outros, está presente em muitos doentes de terapia intensiva e não só em pacientes com Sepse. Foi este então um dos grandes problemas iniciais vividos, no sentido de identificar os pacientes com Sepse e separar de outras causas de respostas inflamatórias sistêmicas. Em seguida foi cunhado o tema Sepse grave. Disse que é aquele paciente que tem resposta inflamatória, secundária a um processo infeccioso, mas também tem a presença de disfunção orgânica. Os pacientes mais graves com choque séptico, isto é, o paciente com Sepse grave que tem uma disfunção orgânica, já apresenta uma hipotensão refratária à reposição de volume. Essa classificação ajuda no primeiro momento, porque ela tem uma relação com morbimortalidade, isto é, os pacientes mais graves são aqueles com choques sépticos com maior mortalidade e os menos graves aqueles só com Sepse, que não têm disfunção orgânica. Falou que se o paciente, por exemplo, tiver uma disfunção orgânica o prognóstico será melhor daqueles que múltiplas disfunções orgânicas que num estágio final é chamado de falência de múltiplos órgãos. Na década de 90, os pacientes com Sepse grave eram classificados de acordo com a resposta inflamatória e com a presença de disfunção orgânica. No entanto se sabe que o paciente com Sepse grave é extremamente heterogêneo;

3) Dr. Eliézer explicou que após dez anos surgiu a primeira classificação, uma outra forma de abordagem, a classificação ou sistema PIRO para identificar esses pacientes. Onde o P se caracteriza como as características próprias do indivíduo (ex: idade, morbidade, aspectos genéticos). O I é a resposta a infecção, ou seja, as características da infecção ou do próprio patógeno. O terceiro aspecto que está colocado como R corresponde à resposta sistêmica, engloba a resposta inflamatória, como havia colocado inicialmente, porém já usa outros marcadores de inflamação ou resposta do hospedeiro. E preserva-se, por fim, a prova da disfunção Orgânica, porque frente a estas disfunções orgânicas tem tratamentos específicos como suporte ventilatório, renal, uso de drogas vasoativas e assim por diante. Falou que se considerados estes diferentes contextos é possível ter uma ideia inicial. Disse que será difícil contar pacientes com Sepse. Apresentou e explicou um estudo feito nos EUA referente ao impacto da Sepse. Abordou mais alguns estudos realizados, explicando-os detalhadamente;

4) Dr. Eliézer enfatizou que hoje o tratamento de Sepse grave é padronizado, isto é, existem diretrizes certificadas por diferentes instituições, inclusive pelo Instituto Latino Americano de Sepse, criado há cinco ou seis anos visando padronizar o tratamento mínimo com indicadores de qualidade para estes pacientes que precisam de cuidados hospitalares. Essa campanha criou estes indicadores de qualidade e possibilitou o acesso à publicação da última revisão das diretrizes em 2008. Essas diretrizes estão organizadas pelo momento em que o paciente se encontra, com grande enfoque em ressuscitação precoce, oferecendo uma grande quantidade de líquidos a esses pacientes quando são identificados no primeiro momento e antibiótico que deve ser oferecido no primeiro momento de tratamento destes pacientes. Essas diretrizes tem sido avaliadas dentro dos hospitais do ponto de vista de implementação de um protocolo gerenciado. A experiência mundial mostra que quando uma equipe é subestimada a tratar estes pacientes é possível reduzir custos, mais frequente nas instituições hospitalares, a partir do momento em que é criado o protocolo de tratamento onde há o processo de triagem, de identificação e, posteriormente, de tratamento com os pacientes num quadrante de custo-efetividade. Em outras palavras, o protocolo está sendo muito bem validado, no ponto de vista de aumentar a sobrevida destes pacientes com ganhos não só de idade, mas de qualidade de vida, na medida em que são alocados recursos de forma adequada para tratar estes pacientes. Vários hospitais no Brasil mostram claramente que uma equipe destinada a estes pacientes têm um ganho de qualidade que pode chegar a 50% da taxa de mortalidade, até mesmo em hospitais públicos;

5) Dr. Eliézer ressaltou e explicou qual é o impacto de um programa educacional em diferentes países e em diferentes instituições. Falou sobre qual seria a média deste impacto a partir da implementação de uma campanha e suas diretrizes. Ressaltou que a grande mensagem do ponto vista de Sepse grave é ter a noção do impacto que ela causa dentro da sociedade. Disse que tem que ter a clareza de qual é a prevalência da doença, quais são os custos associados a ela, de que forma é possível montar um time e implementar um protocolo gerenciado no sentido de rever os processos e diminuir tanto mortalidade quanto a locação de recursos.

6) Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino a Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra e fez algumas perguntas sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes do Dr. Eliézer Silva. O debate pode ser acompanhado pelo vídeo do evento disponível na página do projeto EDUCASUS www.educasus.com.br. Dr. Eduardo Sadao agradeceu a presença de todos e encerrou a sessão.

Entidades participantes:

Não informado

Participantes:

Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino a Distância de Telemedicina da FCMSCSP) e Dr. Zied Rasslan (Professor Instrutor do Departamento de Clínica Médica e médico da unidade de Primeiro Atendimento do Hospital Albert Einstein).

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