Humanização Hospitalar.

14/03/2011 - 10:30 hs às 12:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Dra. Eliana Ribas

Doutorado em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP

1) Dra. Eliana Ribas iniciou a videoconferência abordando o tema “Humanização Hospitalar”. Primeiramente abordou sobre o conceito de humanização e resgatou como é que foi o desenvolvimento dessa ideia. Há alguns anos quando falava-se de humanização era quase uma ofensa. Pessoas que cuidam de pessoas, como é que poderia dizer que ainda precisam estar humanizando? Hoje em dia quando as missões de todas as instituições incluem o valor da humanização, isso é bastante gratificante. Disse que desde que existe serviço de saúde, ou especialmente Santas Casas, é possível encontrar humanização no dia a dia do atendimento. Disse ainda que em qualquer hospital é possível encontrar ações de caráter humanizador. Falou sobre as ações pontuais, geralmente fruto da boa vontade de algumas pessoas. São ações isoladas. A humanização sempre existiu desde que exista essa devoção ao cuidado com a saúde do outro. A humanização envolve uma questão muito mais ampla que é pensar na pessoa com um todo. Estas ações sempre existiram e são encontradas até hoje em instituições que funcionam desta maneira, com ações isoladas, são ações, em grande parte, de convivência, de entretenimento. Mais um passo é dado quando estas ações passam a ser programas, que geralmente ocorrem na área materna e infantil. Porém são restritas a um determinado serviço. Ou pode se encontrar também ações que não são conectadas. Um passo importante que foi dado com a instalação desses programas foi a formação de grupos de trabalho de humanização na instituição, pois muitas vezes estes grupos não têm um apoio da instituição, não têm esse caráter de ser reconhecido institucionalmente e agem ainda com o peso em questão a boa vontade das pessoas que estão envolvidas. Um passo bastante significativo quando se pensa em política de funcionamento. Falou de passar de ação e começar a pensar em funcionamento, digamos que passa do objetivo e vai direto para qualidade do funcionamento, sendo insociável assistência e gestão, porque diz respeito a maneira como as relações acontecem dentro de uma instituição. A humanização é vista como uma grande ferramenta de gestão. Falou sobre um conceito atual de humanização com esse caráter de funcionamento e de principio ético, que deve orientar toda a organização, não só o atendimento, bem como a gestão, baseando-se no diálogo, na participação colaborativa e responsável, no respeito ao próximo. Reforçou que gradativamente terá uma maior participação do aumento de produtividade do funcionário e respeito à singularidade. Ressaltou que na área da saúde sabemos da importância dos procedimentos, das definições, isso é uma lei, mas por outro lado temos que saber adaptar a lei à pessoa. A humanização está sempre na capacidade de particularizar e atender a necessidade, não somente da necessidade de atender ao paciente, mas também do profissional gestor;

2) Dra. Eliana Ribas apresentou os princípios metodológicos destacados na apresentação, divididos em dois grupos: assistência humanizada e gestão humanizada. A grande ferramenta do trabalho para a assistência é a equipe interprofissional. Porque é possível ter um compartilhamento de responsabilidades, de ideias, de deveres e uma articulação destes conhecimentos e habilidades em diversos setores. Destacou que não é fácil fazer isso, pois trata-se de um exercício para aprender a manter as diferenças, mas analisando por outro lado, é possível manter um diálogo colaborativo, além de lidar com as tensões que ocorrem naturalmente entre áreas de compensamento diferente. Na gestão, que seria o outro grupo, a grande ferramenta é o estilo de coordenação que tem que ser mais participativo, mais dialogado, compartilhado e que garanta a participação no dia a dia da instituição, dos profissionais em todas as categorias de serviço. Esse processo tem que ocorrer de uma maneira transversal. A humanização não é um setor, não é uma área, é um funcionamento. Se é funcionamento, precisa ser transversal, porque trabalha nas relações. Fica entre o profissional e os pacientes, entre os profissionais entre si, entre os profissionais e o gestor, e pode-se dizer até na relação entre uma instituição e outra dentro da rede de saúde. Se você tem o SUS, para que ele possa funcionar, precisa ter um bom vínculo, é necessário que tenha esse espírito colaborativo e que fique entendido que o paciente é de todos nós. Qualificação dos vínculos também entre as instituições compreende o conceito de humanização para a qualificação;

3) Dra. Eliana Ribas explicou as etapas de implantação na instituição. Um dos grandes riscos da humanização é ela ser tão ampla, ou ser um conceito tão aberto, que acaba perdendo a especificidade e como trabalhar com isto. É preciso cuidar sempre da prática. Contou que estava chamando a videoconferência de uma experiência possível. Mas como é possível materializar essa ideia que é bastante ampla, de funcionamento respeitoso, cuidadoso e colaborativo? Ela ressaltou que graças à experiência adquirida no ICESP (Instituto do Câncer do Estado de Paulo), onde há três anos está implantando essa política de humanização, obteve uma especificidade interessante. Então todo o planejamento inicial do instituto, foi pensado na participação da humanização. O primeiro passo dado e que foi bastante importante, foi a criação de um escritório de humanização. Não é apenas o profissional voluntário, ou aquele que faz todas as suas atividades e, além disso é responsável por estar cuidando dos programas e dos projetos de humanização, ainda mais fazendo um vínculo desses projetos como um vínculo profissional e a serviço da instituição como um todo. Em seguida foi feito um mapeamento e um conhecimento das áreas que estavam sendo implantadas, o objetivo era conhecer quais seriam todas as áreas que iriam ser implantadas. Mas isso vale para qualquer instituição. Mesmo para uma instituição que está em funcionamento. O primeiro passo para implantar o trabalho, é conhecer a instituição. O segundo passo a ser dado é a formação de um grupo do trabalho de humanização. Esse grupo de trabalho, quanto mais representativo dos diversos setores, estará diretamente ligado ao escritório, que por sua vez está ligado à diretoria executiva da instituição. E esse grupo de trabalho de humanização é quem vai fazer esse matriciamento das diversas áreas, do dia a dia das ações até a ponta. É ele também quem vai propor as ações a partir das necessidades das diversas áreas, de informações que chegam pela ouvidoria, de informações que chegam a partir da pesquisa de satisfação. Tudo isso considerado como ferramenta de gestão para que se possa fazer uma boa administração na instituição. Para o terceiro passo é preciso fazer o levantamento dessas necessidades e também das oportunidades, saberes nas diversas áreas. A partir daí são montados os programas e os projetos sempre com a participação de todas as áreas envolvidas. Implanta-se os programas e se tem todo um sistema de avaliação e acompanhamento, que isso é mais um diferencial conquistado no ICESP, e que todas as ações são descritas como procedimentos, considerando todos os itens de qualidade da instituição. Esse procedimento é descrito a partir deste molde e são definidos indicadores. Todas as ações são acompanhadas por indicadores e é preciso avaliar os resultados para corrigir os rumos, ou seja, a ação da humanização tem que ser considerada como uma ação qualquer dentro da instituição, tem que ser avaliada e acompanhada;

4) Dra. Eliana Ribas enfatizou que uma das coisas fundamentais é ter o escritório de humanização com funções e responsabilidades descritas em conjunto. Todo trabalho de humanização é feito em conjunto e por equipe interprofissional. O grupo de trabalho de humanização que tem representante desde médicos até o pessoal da segurança, eles são os grandes parceiros para descrição de quais seriam os papéis das responsabilidades do escritório, que dará um grande suporte para o funcionamento das ações e dos programas. Explicou detalhadamente as funções dos grupos de trabalho. Passou a falar em detalhes da oportunidade de crescimento e de discussão.

5) Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra, fez algumas perguntas e passou para as entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes da Dra. Eliana Ribas. O debate pode ser acompanhado pelo vídeo do evento disponível na página do projeto EDUCASUS www.educasus.com.br. Dr. Sadao agradeceu a presença de todos e encerrou a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE JAÚ, IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA, HOSPITAL PRÓ-VISÃO, SANTA CASA DE MOCOCA e CMB (Confederação das Santas Casas de Misericórdia).

Participantes:

Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino a Distância de Telemedicina da FCMSCSP).