HPV em Homens.

31/08/2010 - 08:30 hs às 10:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Phd. Luisa Lina Villa

Coordenadora do INCT-HPV, Professora da FCMSCSP, Membro da Academia Brasileira de Ciências,Chefe do Grupo de Virologia do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer desde 1983.

1) PhD. Luisa Lina Villa iniciou agradecendo a oportunidade de voltar ao projeto. Ressaltou que antes de iniciar a videoconferência, tema que gera muita discussão, falou que se começou a estudar HPV em homens, assim como já é estudado a 20 anos em mulheres, nas duas últimas décadas. Recordou que atua também como professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e também como coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do HPV (INCT-HPV), que é uma iniciativa do governo e que conta com recurso tanto federal quanto estadual. Essa é uma iniciativa muito interessante que está completando um ano e meio de vida, e espera-se que até o próximo ano tenha uma sede, inclusive na Santa Casa, onde serão desenvolvidas pesquisas sobre vários temas de HPV e também um componente muito importante de educação e divulgação destes temas. Colocou-se à disposição através deste meio e de outros, deixou o site www.incthpv.org.br, que tem um canal de acesso para perguntas, respostas e para divulgar muitas ações. Iniciou o tema fechando um ciclo essencialmente sobre doenças causadas pelo HPV, tanto na mulher quanto no homem. Falou que se ateria nas pesquisas e no conhecimento acumulado nos últimos cinco a dez anos, sobre como o HPV está presente na região genital e anal do homem e que doenças ele causa;

2) PhD. Luisa ressaltou que é do conhecimento de todos, sem dúvida alguma, que os HPVs são de múltiplos tipos, e destacou os de baixo risco oncogênico, principalmente os que estão associados às verrugas, assim como as verrugas nos dedos, como as verrugas de pele (cutânea), como as verrugas na região anal e estas são causadas por dois tipos muitos frequentes dos tipos 6 e 11. Dos tipos de baixo risco estas são lesões benignas e que, em geral, ficam contidas, não têm nenhum risco ou muito pouco risco de progressão a lesões malignas. Por outro lado encontram-se algumas lesões exofíticas no colo do útero, mas o espectro mais grave da doença é o câncer de colo de útero que é causado pelos tipos de alto risco oncogenêncio de HPV, dos quais o 16 e 18 são os mais frequentes em todo o mundo, sendo os responsáveis em torno de 2/3 (dois terços) desses tumores. Além disso, é claro que estes diferentes HPVs podem causar 80% dos tumores em ânus, 50% em pênis, vulva e vagina e orofaringe em torno de 20%, podendo ser causados pelos mais diferentes tipos de HPV. Com este espectro de doença, como é que se aprende ao longo de tantos anos de estudo, quais são as características dessas infecções? Falou que um destaque importante é que a maioria das infecções sãs absolutamente assintomáticas. É difícil reconhecer quando existe a infecção por HPV porque não existem características no tecido, até mesmo nas células que encontram-se descamadas no colo do útero. Alguns sugerem os efeitos citopáticos, muito leve que seria a colocitose, mas nem sempre observáveis, sobretudo em outros tecidos epiteliais, como o que reveste o pênis. Existe uma característica muito importante desde a infecção primária, que ocorre muito cedo a partir do início da atividade sexual, e que até um desenvolvimento de um tumor podem se passar décadas em relação aos cânceres de colo de útero e outros tumores. Existe a necessidade da expressão contínua para que se perceba o aparecimento do tumor e para que tenhamos respostas imunes, que na maioria das vezes são eficientes, mas em alguns indivíduos não são. Nesses indivíduos onde vê-se a persistência de infecção pode ser percebido o maior risco de desenvolvimento de doenças na região genital. Isto tudo é reconhecido para a região genital feminina e para outros tumores também em relação às mulheres. Em relação aos homens se conhece pouco. Entre os homens a prevalência frequente de HPV na região genital varia muito. Contou o que está sendo feito para compreender a história natural, o que acontece na região genital masculina, o que acontece no homem e algumas comparações com o que acontece na mulher. Para estudar estas infecções existem alguns estudos amplos que estão sendo conduzidos em diferentes locais do mundo com alguns resultados. Passou a demonstrar e explicar detalhadamente os resultados;

3) PhD. Luisa abordou que em três centros de estudos localizados em Tampa (USA), Cuemavaca (México) e em São Paulo (Brasil) estão sendo acompanhados 4.500 homens de 18 a 70 anos de idade que serão seguidos num período de quatro anos. Trata-se de um estudo epidemiológico, onde serão reconhecidos nesses homens a presença ou ausência de infecção no momento de admissão ao estudo e através de questionários epidemiológicos numa série de medidas que envolvem desde o esfregaço da célula do pênis para determinar a presença do HPV, assim como do ânus, da cavidade oral e acompanhar a história natural. Será observado o que acontece quando existe HPV na região genital dos homens; o que acontece ao longo do tempo para o aparecimento de algumas das doenças mencionadas anteriormente como, por exemplo, os condilomas que tem uma história natural mais curta, sendo que a partir de um ano você já pode observar o aparecimento de doenças; quais são as variáveis de risco para o aparecimento de lesões precursoras de câncer, sejam na região genital, anal ou cavidade oral destes homens. Frisou que está sendo conduzido um estudo nos EUA sobre lesões na pele, isto é, o HPV está presente praticamente em todo o organismo e as razões de risco para o aparecimento de tumores cutâneos causados por diferentes tipos de HPV. Apresentou gráficos demonstrando estudos feitos em questão a prevalência de HPV em homens por país de origem (Brasil, México e EUA), relacionados à presença de DNA de HPV no canal anal e à frequência de qualquer tipo de HPV no canal anal, por preferência sexual;

4) PhD. Luisa enfatizou que algo que se discute muito nos homens é o método de coleta dos esfregaços para análise. Durante um bom tempo houve uma discussão e ainda continua apresentando mais e mais resultados no sentido de que muitas vezes era preciso fazer um esfregaço mais invasivo. Existem dados de esfregaços intra-uretrais que são bem dolorosos e que geram uma reclamação importante para os voluntários de pesquisas desse tipo. Hoje os envolvidos nessas pesquisas estão convencidos que a partir de um esfregaço da superfície do pênis ou escroto, com um instrumento tipo de um “cotonete”. Nos esfregaços, coletados com este cotonete especial, o mesmo não causa desconforto e é aceito pela grande parte dos homens. Deu um breve resumo a respeito das infecções obtidas pelas mulheres;

5) PhD. Luisa ressaltou que as infecções por HPV afetam o homem assim como a mulher, em sua região genital, anal e na cavidade oral. As infecções por HPV são muito frequentes no homem também, a transmissão sexual é elevada aumentando o risco de doença tanto entre homens quanto em mulheres e esses estudos prospectivos deverão contribuir para conhecer melhor esta história natural, que certamente vai contribuir para estabelecer medidas de prevenção também no gênero masculino. Sem esquecer que para os homens não existe preventivo para câncer, não existe exame para verificar se há algum risco na sua região genital ou mesmo no seu canal anal, enquanto para a mulher existe o papanicolau. Falou que acredita-se que através destes estudos possam trazer medidas que melhorem a saúde do homem relativa às doenças causadas por HPV.

6) Sr. César Henrique Theobaldo (Gerente do Departamento de Informática da FCMSCSP) tomou a palavra fez uma pergunta e posteriormente passou às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes da PhD. Luisa Lina Villa. O debate pode ser acompanhado pelo vídeo do evento disponível na página do projeto EDUCASUS www.educasus.com.br. O Sr. César agradeceu a presença de todos e encerrou a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA; IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA; IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA; IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA; IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA; IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA; FEHOSP; HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA; HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS; SANTA CASA DE MIS. DE RIBEIRÃO PRETO; SANTA CASA DE MIS. DE BARRETOS; FUNDAÇÃO AMARAL CARVALHO/JAÚ; SANTA CASA DE MIS. DE OURINHOS; SANTA CASA DE MIS. DE FRANCA; SANTA CASA DE MIS. DE SANTOS; CASA DE SAÚDE SANTA MARCELINA –; SANTA CASA DE VOTUPORANGA – AME SANTA FÉ DO SUL; SANTA CASA DE VOTUPORANGA – AME JALES; FUNDAÇÃO PADRE ALBINO; SANTA CASA DE MOGI MIRIM; SANTA CASA DE RIO CLARO; HOSPITAL PRÓ-VISÃO; SANTA CASA DE MOCOCA; SANTA CASA DE SANTO AMARO; HOSPITAL GERAL DE CARAPICUÍBA; SANTA CASA DE BURITAMA; SANTA CASA DE MAUÁ; SANTA CASA DE LENÇÓIS PAULISTA; CMB – CONFEDERAÇÃO DAS SANTAS CASAS DE MISERICÓRDIA.

Participantes:

Sr. César Henrique Theobaldo (Gerente do Departamento de Informática da FCMSCSP).

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