Habilidades Comunicativas nos Profissionais de Saúde e Adesão ao Tratamento.

10/12/2009 - 11:00 hs às 12:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine

Palestrante: Dra. Noemi Takiuchi

Professora da FCMSCSP de Fonoaudiologia. Doutora em Semiótica e Linguística Geral pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

1) A Dra. Noemi Takiuchi iniciou a videoconferência agradecendo o convite para participar do projeto, e lembrando que iria falar sobre um aspecto novo na fonoaudiologia, além de colocar a importância da comunicação em saúde;

2) Dra. Noemi explicou que a comunicação foi uma área que teve início de forma inusitada. Começou na Segunda Guerra Mundial, sendo que o primeiro modelo de comunicação informacional trabalhava com a ideia de que há um emissor que tem uma mensagem, a qual o receptor irá receber. Para que esta mensagem seja recebida, ela deve ser codificada e enviada através de um meio de transmissão. Existe a necessidade de que o código seja compartilhado entre o emissor e o receptor para que a mensagem possa ser compreendida. Atualmente, iniciou-se uma discussão sobre os ruídos que podem interferir nos processos de comunicação. O ruído entrou com uma proposta de interferências mais físicas nesse processo, e hoje se fala de ruídos com outras interpretações, que podem ser questões sociais, culturais, podendo compreender vários aspectos que impedem que a mensagem seja recebida pelo receptor. Destacou que esse é um modelo simples, até matemático, o qual descreve a comunicação como se ela fosse sempre unidirecional e bipolar, ou seja, uma imagem um pouco simplista da comunicação. Apresentou também outro modelo desenvolvimentista, o qual surgiu, posteriormente, nos países subdesenvolvidos, para que a comunicação fosse utilizada como um poder de transformação;

3) Dra. Noemi passou a falar que a comunicação deve ser dialógica, sendo que existe uma série de conceitos e predisposições, tanto para o sujeito que está passando, quanto para quem está recebendo a mensagem, construindo uma nova rede de dignificações a partir desses conhecimentos prévios. A comunicação dialógica veio, inclusive, de um grande teórico brasileiro da área da educação chamado Freire. A pedagogia Freiriana foi muito interessante em suas propostas. No Brasil algumas políticas de saúde utilizam muito desta pedagogia, com a consideração dos aspectos culturais, das experiências locais e pessoais das comunidades. A comunicação hoje é percebida e há uma proposta de se trabalhar isso dentro da saúde como um processo dinâmico. Dessa forma, o processo é mais complexo. Paralelamente a toda essa evolução, houve também uma evolução no conceito de saúde. Há outras necessidades além do bem-estar físico, do cuidado com os aspectos biológicos. Aspectos da comunicação em relação à saúde também precisam ser compreendidos com essa nova visão, havendo um espaço de relação entre o profissional e o usuário, para que essas ações possam ser desenvolvidas, porém obtendo-se um resultado positivo;

4) Dra. Noemi destacou quais as habilidades comunicativas dos profissionais da saúde. Lembrou que, talvez na fonoaudiologia, cujos profissionais trabalham com comunicação, isso é muito presente na formação, mas nem sempre isso é desenvolvido em outras carreiras. Esse tema dificilmente se encontra nos currículos. Além disso, é importante entender que as habilidades comunicativas são muito utilizadas durante todo o processo. Esses profissionais irão passar por situações complexas, como, por exemplo, passar uma informação de óbito a uma família. Existem demandas extremamente diferentes dependendo do local, da instituição, do sujeito. O profissional de saúde também deveria estar preparado para atender essa diversidade de demandas, ou seja, atender uma população de determinada região, o que implica no conhecimento e compreensão que vão além, não bastando apenas saber se expressar bem, ter uma boa voz. Frisou que há problemas com o trabalho do dia a dia, não sendo uma tarefa simples. Passou a explicar as perspectivas do pacientes. Destacou também um estudo que foi realizado numa rede de hospitais na Inglaterra, onde foram verificados aspectos da comunicação entre os profissionais e pacientes através de questionários. Relatou os dados obtidos explicando-os detalhadamente e apresentando em seguida um gráfico elaborado em cima dos mesmos;

5) Dra. Noemi destacou que a British Medical Association (BMA) identificou barreiras da comunicação que podem acontecer no nível pessoal ou em um nível organizacional. Relatou os tópicos referentes aos níveis destacados acima explicando um a um. Dentro do nível pessoal estão: reduzida habilidade de ouvir e de compreensão, subestimar a importância da comunicação, atitudes negativas relacionadas à comunicação, priorizando o tratamento da doença e não as necessidades de cuidado do paciente, falta de habilidade comunicativa, cansaço, estresse, inconsistência nas informações fornecidas, competência linguística. Já no nível organizacional estão: falta de tempo, pressão da instituição e interrupções. Salientou um aspecto lembrando que no Brasil, além de todas as questões que podem interferir como no resto do mundo, há um problema muito sério que é o analfabetismo. Além disso, acabou de sair um índice de analfabetismo funcional, o que hoje estão chamando nível de alfabetização rudimentar, onde o sujeito até consegue ler, mas a compreensão do que ele lê é muito reduzida. Demonstrou através de um gráfico o índice de analfabetismo, destacando regiões como o nordeste, a qual se encontra com o maior índice de analfabetismo. Frisou a comunicação e a diversidade, onde há grupos especiais, sendo necessário considerar realmente a importância de dar assistência para estes grupos especiais. Destacou alguns grupos especiais;

6) Dra. Noemi enfatizou que o desenvolvimento das habilidades comunicativas nos profissionais de saúde e nas instituições e serviços foram estudadas diversas vezes, com resultados bastante positivos. A parte positiva não é só para o paciente, mas também para instituições e para os profissionais. Destacou que com o desenvolvimento das habilidades e com alguns programas de treinamento, educação e comunicação em saúde foram encontrados resultados melhores. Passou a falar que a General Medical Council (GMC) da Inglaterra afirma que deve haver um sentimento de obrigação em todos os profissionais para que avaliem suas habilidades comunicativas como parte de um desenvolvimento profissional contínuo, e de que participem de atividades formativas como maneira de manter e aprimorar sua competência comunicativa. Outro estudo também na Inglaterra mostra que a educação em habilidades comunicativas deve ser parte essencial da formação de todos os profissionais da saúde. Habilidades comunicativas incluem a habilidade de se engajar com os pacientes no nível emocional, de ouvir, de avaliar quanta informação um paciente quer conhecer e de fornecer informações com clareza e simpatia. Finalizou apresentando a seguinte poesia: “Quem não compreende um olhar, tampouco compreenderá uma longa explicação”;

7) Sra. Regina Marchi (Supervisora do Departamento de Marketing da FCMSCSP) tomou a palavra e passou às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes da Dra. Noemi Takiuchi. O debate poderá ser melhor acompanhado através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.com.br. Sra. Regina Marchi agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA; FEHOSP; HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA – não linkado; HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS; SANTA CASA DE MIS. DE RIBEIRÃO PRETO; SANTA CASA DE MIS. DE BARRETOS – não linkado; FUNDAÇÃO AMARAL CARVALHO / JAÚ; SANTA CASA DE MIS. DE OURINHOS – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE FRANCA; SANTA CASA DE MIS. DE SANTOS – não linkado; CASA DE SAÚDE SANTA MARCELINA – não linkado.

Participantes:

Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP).
Sra. Regina Marchi (Supervisora do Departamento de Marketing da FCMSCSP).

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