H1N1.

14/04/2010 - 08:30 hs às 10:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Dr. José Cássio de Moraes

Epidemiologista e Professor Adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

1) O Dr. José Cássio de Moraes iniciou a videoconferência lembrando que iria falar sobre a Influenza H1N1;

2) Dr. José destacou que a doença foi espalhada no ano passado, durante o período de julho a novembro, e que já era prevista uma nova onda, que de fato aconteceu em outras situações pandentes. Todas estas situações pandentes se caracterizavam por uma segunda onda com variações, umas com mais e outras com menos, na ocorrência da doença. O vírus é relativamente simples, mas bastante eficaz na produção de infecção e doenças, ou seja, tem uma alta infectividade e uma alta patogenicidade. Esse vírus possui dois antígenos, sendo: Hemaglutinina (HA) e Neuraminidase (NA), aos quais dão a classificação e propiciam a patogenicidade. Esse vírus estimula a produção de anticorpos e propicia uma refecção por bactérias. Ele sofre constantes mutações, mutações grandes e pequenas, então nada mais é que uma junção de vírus. Ele tem uma classificação complicada, pois depende muito do tipo dele, sua origem, o ano, porque cada um deles pode representar um aspecto moral diferente e o individuo pode não responder adequadamente a essa composição do vírus. Descreveu que o vírus é novo, teve o início da epidemia entre pessoas de faixa etária entre 5 a 59 anos de idade, e com maior transmissibilidade. Foi testado que nos animais o mesmo se torna mais infectante e há uma maior patogenicidades;

3) Dr. José explicou que a doença tem um período de incubação curto, em torno de um a dois dias, causando febre de início súbito, mal estar, calafrios, dores musculares e podendo evoluir para sintomas graves como tosse, coriza, dor de garganta, broncoespasmo, sendo que pode ter uma duração de quatro a cinco dias e prolongar esse mal estar por duas semanas. Ele lembrou ainda que esse vírus pode ser confundido com outros vírus respiratórios, na verdade é uma síndrome que não se consegue distinguir um vírus do outro. O vírus tem uma capacidade de viver em ambiente durante 24hs, o que facilita e aumenta sua transmissão. Nos adultos, a faixa de transmissão é menor do que nas crianças, tanto que em muitos países, assim como nos EUA, tendem a aplicar a vacina em escolas. Aqui no Brasil estamos desenvolvendo um estudo para ampliar esta faixa etária da vacina. A vacina pode ter várias complicações de acordo com a idade, desde complicações respiratórias, pneumonias, descompensação de doenças crônicas como asma, diabetes e cardiopatia, sendo que estes grupos são os prioritários para vacinação. A letalidade é relativamente baixa, mas para alguns grupos, como gestantes, ela é acima desse valor apresentado de 0,01%. Todo ano provoca uma morbidade grande e como há a pandemia esse número aumenta;

4) Dr. José apresentou alguns estudos feitos pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em um gráfico representando os sintomas mais apresentados confirmados em Influenza sazonal e pandêmica. Frisou que a sintomatologia entre esses dois casos de Influenza não é muito diferente. A distribuição desses dados foi atualizada em 07 de fevereiro em todo o mundo. A incidência da doença foi constatada em 203 países, sendo mais de 400 mil casos e quase 17 mil óbitos, até janeiro de 2010 e esse índice continua aumentando. Ele apresentou uma tabela com confirmação de casos com mortes notificadas causadas pela H1N1. Comentou que este ano já foram constatados 50 óbitos no Brasil, principalmente na região Norte, e 45 óbitos em investigação, frisando que não é uma doença banal e precisa ser combatida. Demonstrou através gráficos o pico de elevação em regiões onde foram realizadas consultas e constatados casos da gripe. Destacou a região Norte por ter um grande índice de casos constatados e salientou que a região Nordeste começa a ter um pico de elevação de casos;

5) Dr. José frisou que para uma doença de alta trasmissividade e alta patogenicidade as medidas de proteção são bem gerais, mas nem sempre eficientes. Manter uma boa higiene pessoal e ambiental, cobrir a boca quando espirrar e tossir, usar lenços descartáveis, lavar bem as mãos, alimentação equilibrada, exercício fisco regular, descanso suficiente, não fumar, evitar ambientes aglomerados e pouco ventilados são cuidados necessários. E como medida de proteção para influenza é a vacinação, isso é, antes da contaminação. Comentou a gradatividade dos grupos a serem vacinados, profissionais da saúde, gestantes, pessoas com doenças crônicas, crianças com mais de seis meses e menores de dois anos e a população de 20 a 29 anos. Também tem a campanha nacional da vacina para pessoas idosas a partir de 60 anos de idade e a população de 30 a 39 anos. Explicou a definição e a efetividade da vacina. Apresentou uma pesquisa feita pelos EUA retratando o grau de cobertura vacinal atingido no país, mostrando que lá também há dificuldades para atingir uma cobertura elevada e que normalmente no Brasil conseguimos atingir coberturas mais altas em comparação aos outros países. O Dr. José Cássio agradeceu presença de todos e colocou-se à disposição para os questionamentos.

6) Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra e fez a seguinte pergunta: “Essa é a segunda onda no País relacionada à H1N1 e o Dr. ressaltou que no inverno a população terá uma disposição maior para esta doença e a entrada começa pelo região Norte do Brasil. Porém a região Norte é sempre muito quente, sendo o oposto das temperaturas do inverno. Qual a justificativa para isso?” Dr. José Cássio respondeu: “Embora a temperatura seja muito quente, existe um período mais chuvoso e mais seco. Então, num período mais chuvoso, no qual estamos agora, existe uma maior aglomeração das pessoas e isso facilita a transmissão da doença e portanto aumenta o número de casos. È por isso que a chamamos de Influenza sazonal, ou seja, ela tem reações de acordo com as temperaturas no decorrer do ano”. Dr. Eduardo Sadao tomou a palavra, fez mais algumas perguntas e passou às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes do Dr. José Cássio de Moraes. O debate pode ser melhor acompanhado no vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.com.br. Dr. Sadao agradeceu a presença de todos e encerrou a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA – não linkado; IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA; IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA – não linkado; IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA; IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA; IRM. DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA – não linkado; FEHOSP – não linkado; HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA – não linkado; HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE RIBEIRÃO PRETO – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE BARRETOS; FUNDAÇÃO AMARAL CARVALHO/JAÚ – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE OURINHOS – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE FRANCA; SANTA CASA DE MIS. DE SANTOS; CASA DE SAÚDE SANTA MARCELINA – não linkado; SANTA CASA DE VOTUPORANGA – AME SANTA FÉ DO SUL – não linkado; SANTA CASA DE VOTUPORANGA – AME JALES – não linkado; FUNDAÇÃO PADRE ALBINO – não linkado; SANTA CASA DE MOGI MIRIM – não linkado; SANTA CASA DE RIO CLARO – não linkado; HOSPITAL PRÓ VISÃO – não linkado; SANTA CASA DE MOCOCA – não linkado; SANTA CASA DE SANTO AMARO – não linkado; HOSPITAL GERAL DE CARAPICUÍBA – não linkado.

Participantes:

Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP).

Sem apresentação de powerpoint.