Doenças Cardiovasculares nos Diabéticos.

12/11/2009 - 11:00 hs às 12:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine

Palestrante: Dr. João Eduardo Nunes Salles

Professor Assistente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Médico 1º Assistente do Departamento de Medicina Clínica de Endocrinologia da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

1) O Dr. João Eduardo Nunes Salles iniciou a videoconferência agradecendo o convite para participar do projeto, e lembrando que iria falar sobre Doenças Cardiovasculares nos Diabéticos;

2) Dr. João destacou que a doença cardiovascular é uma complicação do diabetes, porém esta é uma complicação que leva o paciente a óbito. Destacou também que iria abordar um pouco outras complicações relacionadas ao diabetes. Com relação à mortalidade no Brasil, a maior porcentagem está relacionada à doença cardiovascular, totalizando um terço destes pacientes. O risco de infarto relacionado ao Interheart (estudo que avaliou quinze mil pacientes que enfartaram contra quinze mil que não enfartaram) mostra que este risco é quatro vezes maior quando existe uma dislipidemia, ou seja, o aumento do colesterol. O diabetes tipo 2 vem logo em seguida. A avaliação do paciente diabético contra a prevenção da doença cardiovascular é um fato muito importante e é isso o que será abordado ao longo da apresentação. Não só a cardiopatia isquêmica, o AVE, como a cardiovascular, estão relacionadas aos macrovasculares, mas também a vasculopatia periférica que leva a um problema extremamente grave, o qual limita muito o paciente pré-diabético. Há uma necessidade muito grande de que, quando for avaliar um paciente diabético, avaliar também a vasculopatia periférica, apalpar os pulsos, avaliar se o pé está hidratado ou não, se é um pé de risco, se irá desenvolver menopatia ou o pé diabético. Deve-se lembrar também das microvasculares, a retinopatia, nefropatia, neuropatia, o que no caso do paciente diabético tipo 2 devem ser rastreadas no primeiro momento da consulta. Assim que ele descobre que é portador de diabetes, devemos avaliar do ponto de vista da cardiopatia isquêmica, mas principalmente retinopatia periférica, nefropatia e neuropatia. Todo paciente com diabetes tipo 2 recém-diagnosticado deve ser submetido a alguns exames;

3) Dr. João explicou que os pacientes passaram a sofrer muito com as doenças cardiovasculares e diabetes, de acordo com estudos dos anos de 2007 e 2008. Estes estudos ajudaram depois de dez anos de tratamento irregular mal feito, a tratar rapidamente o paciente diabético. Então, eles foram controlados em dois grupos, um deles mantendo a hemoglobina glicada por volta de 7,5, e o outro mantendo a hemoglobina glicada em torno 6,5, a fim de verificar a glicemia. Depois de um tempo de tratamento era possível notar a diferença na mortalidade cardiovascular. Esse foi o objetivo dos estudos Accord, Advance, VADT e UKPDS. Este último foi outro tipo de estudo, o qual abordou o paciente de acordo com a doença cardiovascular, sendo que o paciente era tratado desde o início de forma intensiva. Explicou detalhadamente uma pesquisa realizada em cima dos dados do Accord, o quais mostraram estimativas de pacientes da terapia intensiva que morreram mais do que no grupo Standard. Este dado fez com que o estudo fosse suspenso, ficando só o Standard, que é avaliado quanto à mortalidade cardiovascular. Esses dados serão fechados agora em 2010. Explicou também sobre outro estudo, o Advance, os quais não mostrou nenhuma diferença da mortalidade cardiovascular entre os grupos Standard e Intensivo. Mostrou ainda outro estudo, chamado VADT, e que usa a mesma metodologia, tendo a mesma taxa de mortalidade. Por último, falou sobre o estudo de UPKDS, um estudo que desde 1977 controla o paciente muito bem, tendo sido encerrado em 1997. No momento de seu encerramento, as hemoglobinas glicadas dos grupos, tanto convencional, quanto intensivo, ficaram iguais desde 1998 até 2007. Então, o UPKDS passou por essas duas avaliações. Concluiu-se, então, que não adianta após um tratamento errado do diabetes, tentar controlar o paciente de forma intensiva;

4) Dr. João apresentou mais alguns estudos, como o Steno 2, o qual tratou o paciente de forma intensiva global. Isto é padronização em dois grupos, o convencional e o intensivo. A hemoglobina glicada ficou menor até oito anos de estudo, e depois esse estudo foi encerrado, sendo que as hemoglobinas glicadas ficaram iguais em até cinco anos. O que se pode avaliar é que até oito anos já tinha uma diferença muito grande do tratamento convencional para o intensivo quanto à mortalidade. Depois que hemoglobinas glicadas ficaram iguais, essa diferença continuou por mais cinco anos, mostrando que o grupo convencional teve uma mortalidade muito maior, com um desfecho cardiovascular muito maior do que o grupo intensivo, mesmo com a hemoglobina glicada teoricamente igual;

5) Dr. João frisou que por conta disso, o objetivo do tratamento do diabético tipo 2 é para que tenham na meta do adulto uma glicemia menor do que sete, um pré-prandial até cento e trinta e um pós-prandial tolerável até cento e oitenta. Aqui no Brasil considera-se a taxa por volta de cento e quarenta, tolerando até cento e sessenta. Contudo, o que é mais importante, ou tão importante quanto o controle da glicemia, é que se mantenha o paciente nas metas de controle dos outros padrões, outros objetivos metabólicos, como a pressão arterial e o colesterol. Essas metas, juntamente com o controle metabólico, devem ser seguidas a todo custo. Explicou que tratamento do LDL é feito com estatina, sendo que o uso das estatinas não deve ser feito só para redução de LDL, mas sim na redução de seus efeitos pleotrópicos são muito importantes nesse grupo de pacientes. Concluiu que na prevenção da doença cardiovascular de diabetes é importante atingir os objetivos do bom controle, desde o diagnóstico do diabetes e mantê-lo de forma sustentável. O controle metabólico global é o principal fator de proteção na prevenção das complicações do diabetes;

6) Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra e fez a seguinte pergunta: “Mais importante sobre o diabetes tipo 2 é fazer o diagnóstico precoce e depois começar com um bom tratamento? Se começar desde o início com um bom acompanhamento, isso é melhor do que no final dar um bom tratamento?” Dr. João respondeu: “Exatamente, aquele paciente que eu fiz o diagnóstico de diabetes, eu entrei com metformina, que é o tratamento inicial e esse paciente não respondeu nos três primeiros meses. Logo, tive que associar o medicamento para a hemoglobina ficar baixa. Esse é o benefício que nós temos para o paciente que controla glicemia em longo prazo” Dr. Eduardo Sadao tomou a palavra e passou às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes do Dr. João Eduardo Nunes Salles. O debate poderá ser melhor acompanhado através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.com.br. Dr. Sadao agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA; FEHOSP; HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA – não linkado; HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE RIBEIRÃO PRETO – ausente; SANTA CASA DE MIS. DE BARRETOS; FUNDAÇÃO AMARAL CARVALHO / JAÚ – ausente; SANTA CASA DE MIS. DE OURINHOS; SANTA CASA DE MIS. DE FRANCA; SANTA CASA DE MIS. DE SANTOS – não linkado; CASA DE SAÚDE SANTA MARCELINA – não linkado.

Participantes:

Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP).

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