Distúrbios nutricionais por excesso: obesidade.

23/03/2011 - 11:30 hs às 12:30 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Dra. Tatiane Sousa e Silva

Pediatra. Especialização em Endocrinologia Pediátrica pela Irmandade de Misericórdia da Santa Casa de São Paulo e Doutoranda em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

1) Dra. Tatiane Sousa e Silva iniciou a videoconferência frisando o tema de obesidade. Disse que a obesidade é pensada como uma doença que está em progressão, como se fosse uma epidemia que estivesse se espalhando pelo mundo. Falou que obesidade é o excesso de peso resultante do aumento da massa gorda, devido a um balanço energético positivo. É uma doença crônica, uma epidemia, e que no Brasil o número de obesos vêm aumentando. A causa da obesidade na maioria das vezes é exógena e idiopática, em 95% dos casos é uma doença que tem como etiologia vários fatores, tanto genéticos, quanto ambientais e comportamentais. Em relação a estes fatores existe a parte genética, como os fatores ambientais que hoje são de bastante importância, como os hábitos alimentares, os aspectos psicológicos e também sócio-econômicos. Frisou que esse aumento da obesidade no mundo inclui o Brasil. Existem alguns dados do IBGE onde foram colocados dados antropométricos da população numa faixa etária de 5 a 9 anos de idade. O déficit estatural é um dos dados que está diminuindo tanto no sexo masculino como feminino, desde a década de 70. Em contrapartida, o excesso de peso em obesidade, ambos os sexos, está aumentando percentualmente em nossa população. Frisou também que isso ocorre numa faixa etária entre 10 e 19 anos. Falou que é importante que todos os profissionais identifiquem os seus pacientes. Este profissional tem que estar atento para identificação do paciente com obesidade. É importante então uma história detalhada, relatando como que é essa evolução, os fatores que desencadearam, mudança de horário escolar e alimentação, se a família percebe que a criança está realmente fora do peso comparada às outras crianças, se a criança já teve algum tipo de tratamento prévio em questão ao peso. É importante lembrar dos antecedentes pessoais e antecedentes familiares. É importante também os hábitos alimentares, acompanhar o comportamento e o estilo de vida, lembrar de alguns sinais que podem estar associados com a obesidade, como por exemplo, se a criança ronca à noite, se tem apneia etc;

2) Dra. Tatiane explicou que para identificar uma criança com obesidade, é de suma importância um exame físico detalhado, o que vai propiciar o diagnóstico do peso alterado, preconizando o diagnóstico da alteração por obesidade, o peso e a altura, calculados o IMC (Índice de Massa Corporal) que é o peso sobre altura ao quadrado. Uma forma de avaliar a distribuição desta gordura é a avaliação da prega cutânea tricipital e também da circunferência do braço. São estas algumas referências para avaliar se a criança está ou não dentro da normalidade, lembrando de outra medida importante é a circunferência abdominal. É importante avaliar o estadiamento puberal e sempre medir a pressão arterial. Disse que o melhor índice para mostrar se uma criança está obesa ou acima do peso é a classificação através do IMC. Apresentou um gráfico com a referência do CVC, que são dados percentuais do IMC, e classificada a criança com o sobrepeso entre o percentual 85-95 e acima disso obesidade. Assim é possível avaliar o paciente e determinar se ele tem ou não uma obesidade ou um sobrepeso. Disse que para pensar na causa da obesidade e quais os diagnósticos diferenciais, é preciso avaliar junto à altura, tanto na obesidade, mas com baixa estatura. Passou a falar da síndrome metabólica;

3) Dra. Tatiane ressaltou que as comorbidades que aparecem na obesidade são a hipertensão arterial, que está diretamente relacionada à resistência insulínica, ou seja, a hiperatividade do sistema nervoso simpático vai estar presente e acontecerá as alterações na estrutura e na função vascular. Lembrou que 30% das criança, idosos e adolescentes com sobrepeso e obesidade tem hipertensão arterial. O método de diagnóstico é a medida da pressão arterial com percentual acima de 95 em, no mínimo, três medições. A alteração dos lipídios está altamente relacionada à síndrome metabólica e à resistência insulínica. Em relação à alteração no metabolismo glicídio, 30% das crianças obesas têm de 20 a 25 de alteração também no metabolismo da glicose. Essa resistência insulínica é uma incapacidade do organismo de responder a própria aço da insulina. Com isso há uma compensação por hiperinsulinismo para tentar manter essa tolerância normal. Um dos achados em exame físico, que muitas vezes é relacionado a essa alteração, é Acanthosis nigricans. A resistência insulínica está bastante relacionada ao diabetes, hipertensão, dislipidemia e às doenças cardiovasculares nos obesos. Explicou que existem alguns valores para o médico definir se o paciente tem ou não uma resistência insulínica. Outra comorbidade é a esteatose hepática que estará presente na resistência insulínica e que pode levar a 20% dos casos a uma ósteo hepatite e raramente a uma Cirrose hepática. Outras comorbidades são, por exemplo, ortopédicas, dermatológicas, síndrome de ovários policísticos e síndrome de apneia obstrutiva do sono;

4) Dra.Tatiane destacou a abordagem nutricional, que a prevenção é o melhor tratamento. Então é importante que nas escolas, creches, e em todos os serviços em que recebem crianças, tenha esta prevenção e mudanças de hábitos para uma melhora. Existe hoje um manual de obesidade da sociedade de pediatria e pelo Ministério de Saúde com a quantidade determinada e alimentos para cada faixa etária nos níveis de uma pirâmide de uma alimentação normal. Existem também fórmulas, cálculos que apontam a quantidade de gastos basal, total, necessário para uma criança obesa ou que esteja com sobrepeso para poder regularizar e fazer parte do tratamento dessa criança. Outro ponto frisado é que além da mudança no hábito de vida e na dinâmica familiar, a atividade física tem uma incidência de melhora da obesidade. Não se sabe qual a intensidade, duração, frequência e a modalidade específica na faixa etária infantil, por isso, é preciso fazer uma seleção cuidadosa. Falou sobre a melhora no perfil lipídico e que a hipertensão dá uma sensação de bem-estar. Em alguns trabalhos há evidências de associação da atividade física com a sensação de diminuição das causas de síndrome metabólica que seriam citosinas inflamatórias, independente se a criança perde peso ou não durante a atividade física. Sabe-se que estes benefícios são cumulativos, pois aumentam o gasto energético, diminuem o risco cardiovascular e já existem alguns trabalhos que comprovam que nos adolescentes há uma diminuição da gordura visceral se esta atividade física for feita em períodos frequentes. As metas para o tratamento de sobrepeso e obesidade nas crianças com sobrepeso não têm nenhuma comorbidade para manter o peso. As que possuem comorbidades entre 2 e 7 anos é manutenção de peso, porque vai haver um crescimento estatural e naquelas com maiores de 7 anos com comorbidades é indicado uma redução gradual do peso. Já para os obesos, mesmo sem morbidades, é importante a redução gradual de peso. O tratamento medicamentoso vai ser instituído caso com a modificação do estilo de vida não seja obtido nenhum sucesso, ou se há presença de comorbidade sem melhoras com o estilo de vida, ou até mesmo verificar se há na família casos de diabetes ou doenças cardiovasculares. Destacou que são poucos os medicamentos para o tratamento de obesidade na infância, explicou o uso de outros medicamentos relativos à obesidade adulta e o uso de medicamentos em casos específicos para crianças;

5) Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino a Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra, fez alguns questionamentos, passou a palavra a Dra. Fátima Rodrigues Fernandes (Coordenadora do Curso de Educação Continuada – Excelência em Pediatria) e, posteriormente, passou a palavra para as entidades participantes, as quais fizeram seus comentários e questionamentos, tendo obtido respostas muito pertinentes da Dra. Tatiane Sousa e Silva. O debate pode ser acompanhado pelo vídeo do evento disponível na página do projeto EDUCASUS www.educasus.org.br. Dr. Eduardo Sadao agradeceu a presença de todos e encerrou a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE JAÚ, FUNDAÇÃO PADRE ALBINO, SANTA CASA DE ITAPEVA; SANTA CASA DE MOGI MIRIM, HOSPITAL PRÓ-VISÃO.

Participantes:

Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino a Distância de Telemedicina da FCMSCSP) Dra. Flávia Jaqueline Almeida (Coordenadora do Curso de Educação Continuada – Excelência em Pediatria).