Diabetes Tipo 2.

11/11/2009 - 11:00 hs às 12:00 hs

49 Visualizações

Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine

Palestrante: Dr. João Eduardo Nunes Salles

Professor Assistente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Médico 1º Assistente do Departamento de Medicina Clínica de Endocrinologia da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

1) O Dr. João Eduardo Nunes Salles iniciou a videoconferência agradecendo o convite para participar do projeto, e lembrando que iria falar sobre Diabetes tipo 2;

2) Dr. João destacou o Dia Mundial do Diabetes, que é comemorado em 14 de novembro. Ressaltou qual a prevalência do diabetes no Brasil. Disse que em 1992, aproximadamente 7,6% da população eram diabéticos no Brasil. Esse número vem crescendo nos últimos tempos, com base em dados da cidade de Ribeirão Preto, que são extrapolados para o resto do Brasil. Os dados mostram que havia em torno de 12,5% a 13% de diabéticos no Brasil, sendo que a maioria eram diabéticos tipo 2. A faixa etária ainda não mudou, permanece entre 50 a 69 anos, chegando a 18% da população de idosos;

3) Dr. João frisou que o diabetes tipo 2 é originário de uma disfunção, tanto no mecanismo de ação da insulina, como no nível da mesma. Apresentou um gráfico com a progressão da doença. É muito importante ter em mente que não existe diabetes tipo 2 que não tenha disfunção da secreção de insulina, pois alguma secreção sempre existe. Contudo, com medicamentos é possível controlar isso temporariamente, porque depois o paciente precisará de um medicamento que atue também na secreção de insulina. Então, o diabetes tipo 2 é guinomino, ou seja, há resistência insulínica com a diminuição do nível circulatório de insulina, elevando a hiperglicemia de jejum no aumento de produção hepática de glicose. Há pacientes obesos, que são metabolicamente saudáveis, ou obesos com resistência insulínica. Se eles vão ou não desenvolver diabetes isso vai depender da compensação. Aquele paciente que tem uma compensação de célula aberta adequada é normoglicêmico. Já aquele que tem uma compensação leve apresenta uma tolerância á glicose diminuída. Por fim, aquele paciente que tem falência de célula aberta é portador de diabetes tipo 2. Obesidade não marca se há ou não disfunção de resistência insulínica. Se o paciente é diabético, se é obeso ou magro, existe a disfunção de produção de insulina e isso deve ser tratado;

4) Dr. João apresentou a forma de tratamento, realizado através de alimentação, atividade física e suspensão do fumo. Fazendo isso e mesmo assim o paciente não melhorar, deve-se administrar um anti-diabético oral. Após isso, o tratamento dependerá da evolução do diabético. Em princípio, usa-se a insulina de terapia ou outros anti-diabéticos orais, como aspirinas e anti-hipertensivos. Por isso, a SBD lançou o algoritmo de tratamento de diabetes, o qual está disponível na web, através do seguinte endereço: www.dibetes.org.br. Nesse local, o download desse algoritmo é feito gratuitamente. Explicou os tópicos relacionados ao algoritmo. De acordo com a manifestação do paciente, deve-se iniciar o primeiro anti-diabético oral. Pacientes com manifestações leves de discreta fadiga ou paciente que não apresentou ainda o quadro de poliúria (polifagia), devem ser tratados com mudança de vida, titulando a dose até 2g ao dia. Caso não atinja o controle glicêmico em seis semanas com o medicamento, com hemoglobina menor do que sete, já se pode associar o segundo anti-diabético oral. Assim, a diferença dos outros consensos para esse caso é com relação à velocidade maior de introdução segundo o agente. Deve-se proteger a célula β o quanto antes. Para manifestações severas ou uma glicemia acima de trezentos, mesmo sem diagnóstico de diabetes, é indicada a insulinoterapia, a fim de melhorar sua glicotoxicidade. O mecanismo de ação de metformina é a principal forma de tratar o diabetes, por ser barato e estar presente em farmácias e postos de saúde. Ela protege a célula β, não atuando sobre a secreção de insulina, e sim retardando a absorção gástrica. Ela não causa hipoglicemia e ainda tem efeitos colaterais benéficos;

5) Dr. João passou a falar sobre os efeitos da metformina. Caso o paciente seja tratado com metformina e não resolveu, pode-se associar um segundo anti-diabético oral, porém isso depende da faixa de hemoglobina glicada do paciente. Explicou como se recomenda a insulina, ou seja, para hemoglobina glicada até 8,5, a inusulina é uma opção. Já para hemoglobina glicada acima de 9, a insulina é recomendada, porque quando se aplica insulina à noite, a intenção é diminuir o jejum. Observando a hemoglobina glicada acima de 9,5, nota-se que o jejum está presente em 70% das vezes. Então, sempre quando for insulinizar um paciente, é importante associar a insulina à noite e controlar o jejum. Isso já atinge o controle da hemoglobina glicada;

6) Dr. João destacou os tipos de insulina que há no mercado, entre elas a NPH e a insulina regular. A regular é utilizada para controlar a glicemia pré café, almoço e jantar. Já a NPH, que é aplicada no mínimo duas vezes ao dia, sempre de manhã e na hora de dormir, a fim de controlar a glicemia de jejum e a glicemia pré jantar. Outra coisa que não se usa é dividir a NPH de dois terços em um terço. Isto vai depender do paciente, ou seja, o paciente que tem mais glicemia pela manhã deve usar insulina em quantidade maior à noite. Se o paciente tem mais glicemia antes do jantar deverá usar mais NPH pela manhã. Dessa forma, não é necessário ficar preso a um terço e dois terços. No primeiro momento, aplica-se insulina de ação prolongada ou NPH à noite, mantendo o anti-diabético oral pela manhã. Em um segundo momento, aplica-se a insulina NPH três vezes ao dia e a insulina regular no café, no almoço e no jantar. O diabético tipo 2, na maioria das vezes, requer maior quantidade de insulina, pois é importante na sobrevida desse paciente. Frisou ainda a importância de seguir este procedimento;

7) Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra e fez a seguinte pergunta: “Sobre as diversas formas de medicação e tratamento, todas elas estão disponíveis para o SUS? O que não está disponível? Como os pacientes têm acesso a essas medicações?” Dr. João respondeu: “Eu insisti bastante na NPH e na regular, porque elas estão disponíveis no SUS, e hoje, o paciente diabético tem as tiras para fazer o acompanhamento em casa. O que é importante é que o paciente faça o controle em casa para saber qual medida ele irá tomar. Ou seja, se o paciente controla as tiras, se é um paciente que toma insulina NPH e regular em cada refeição. Ele tem que fazer a conta antes de cada refeição para saber se vai tomar mais ou menos insulina regular. Agora, se for um paciente diabético que não usa insulina e sim metformina, a qual também está disponível na rede, ele faz o controle da glicemia duas vezes por semana, antes e depois da refeição, para saber se está ou não fazendo hiperglicemia pós-prandial” Dr. Eduardo Sadao tomou a palavra, fez mais algumas perguntas e passou às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes do Dr. João Eduardo Nunes Salles. O debate poderá ser melhor acompanhado através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.com.br. Dr. Sadao agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA – ausente; FEHOSP; HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA – não linkado; HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE RIBEIRÃO PRETO – ausente; SANTA CASA DE MIS. DE BARRETOS; FUNDAÇÃO AMARAL CARVALHO / JAÚ; SANTA CASA DE MIS. DE OURINHOS; SANTA CASA DE MIS. DE FRANCA; SANTA CASA DE MIS. DE SANTOS; CASA DE SAÚDE SANTA MARCELINA – não linkado.

Participantes:

Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP).

Sem apresentação de powerpoint