Cuidados às Pessoas Idosas, Frágeis e Dependentes.

17/09/2009 - 11:00 hs às 12:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Dra. Yeda Aparecida de Oliveira Duarte

Graduada em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da USP (1982), Mestrado (1996) e Doutorado (2001) em Enfermagem pela Universidade de São Paulo (2001) ambos na área de Gerontologia. Pós Doutorado(2005) em Epidemiologia pela Faculdade de Saúde Pública da USP com estágio na University of Texas Medical Branch. Atualmente é professora livre-docente da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.

1) A Dra. Yeda Aparecida de Oliveira Duarte iniciou a videoconferência agradecendo o convite para participar do projeto, lembrando que iria falar sobre Cuidados às Pessoas Idosas, Frágeis e Dependentes;

2) Dra. Yeda comentou a frequência de idosos, que vem aumentando na população. “Quando eu falo de cuidar de um idoso de 60 ou 70 anos não é o mesmo que cuidar de um idoso com 80, 90 ou 100 anos. Numa população mundial conseguimos ver que a população mais longeva de 80 a 100 anos, é a que mais vai ocorrer no próximo século. Na verdade não temos noção de quais os cuidados essas pessoas precisarão, porque não fizeram parte real da nossa realidade. Esporadicamente isso acontece. Eles têm demandas diferentes, e nós precisamos reconhecer. Porém, não se compromete a qualidade de atendimento, mas a resposta do atendimento positiva ou não”;

3) Dra. Yeda focou a importância do cuidado, pois muitas vezes esse tipo de cuidado acaba não sendo o melhor possível, o mais adequado em termos de resolutividade. Isso não ocorre por culpa de alguém, mas sim pelo preparo profissional, na verdade é culpa da educação profissional, porque eles não aprendem isso ainda, de forma sistematizada nos currículos de graduação. O que temos hoje especificamente de recursos humanos não é uniforme, existe pouco conteúdo especifico sobre o envelhecimento nos currículos de graduação das diferentes áreas profissionais. Agora quando o profissional se forma necessariamente na área, ele vai trabalhar com essa pessoa, se depara com pessoas de diferentes demandas, que muitas vezes ele não consegue identificar. Essas demandas são específicas, e o que acontece muito são pessoas que já passam por essa experiência. A principal porta de entrada no Sistema de Saúde para as pessoas idosas acabam sendo, muitas vezes, o Pronto Socorro. O mesmo ocorre quando ela procura um serviço com urgência. A lógica do cuidado à saúde é tentar buscar esse idoso antes que um problema mais grave aconteça, e que o leve a ir ao Pronto Socorro;

4) Dra. Yeda explicou que no caso de senescência e senilidade, há coisas que são normais, como envelhecimento, as perdas normais durante a vida. A ideia é que reconheça essas perdas e vá se adaptando a elas. Por outro lado, há situações que estão ligadas nas doenças, e isso não é considerado normal. Muitas vezes o limite para essas duas coisas acaba não sendo perceptível, gerando confusão entre o que é normal e o que não é. É de fundamental importância que possamos discutir com nossos profissionais, pois a espera para que o idoso apresente sinais e sintomas típicos da maioria das doenças, talvez ajude a postergar muito o atendimento correto, comprometendo a resolutividade na ação. O profissional precisa entender que não é possível esperar do idoso as respostas que normalmente aparecem em outras pessoas. Quando ele apresenta mudança de comportamento ou confusão mental, é preciso prestar muita atenção e investigar, pois será isso que irá mostrar o que ele realmente tem, além de fazer com que a intervenção seja mais adequada;

5) Dra. Yeda destacou o porquê de não trabalhar especificamente com a doença, e sim com a grande síndrome, porque a síndrome acaba congregando diferentes alterações de múltiplas doenças. Por exemplo, em relação à incontinência, podem gerar inúmeras infecções urinárias, alteração do nível de consciência, diabetes. A ideia é trabalhar com as grandes síndromes, devido aos múltiplos problemas chamados de efeito dominó, ou seja, uma doença que desencadeia outra, prejudicando a qualidade do atendimento e a qualidade de vida dessa pessoa idosa. Em relação à estabilidade das quedas, diz-se que é um dos grandes indicadores do sistema da saúde. Nos hospitais há uma abordagem diferente das quedas em domicílio. É preciso entender que o idoso pode não reconhecer que está numa cama hospitalar, e essa cama é mais alta do que o normal. Dessa forma, ele vai levantar à noite e pode cair. Também não deve usar o chinelo no piso escorregadio. Esses são detalhes que precisam ser levados em conta com os idosos;

6) Dra. Yeda ressaltou os cuidados com as pessoas idosas, lembrando que é necessário entender qual o cuidado que ela precisa e qual o cuidado que ela recebe. Hoje, a necessidade do cuidado dela é muito maior do que o cuidado que ela recebe. Isso ocorre em diferentes contextos, principalmente, na própria casa do idoso. Normalmente aprendemos a centrar a atenção na doença, mas para a pessoa idosa isso não funciona. É importante centralizar a atenção na pessoa idosa, e a partir do momento que centralizo essa atenção no idoso, será possível trabalhar com o idoso, a família, o cuidador, formando uma comunidade. Em cima disso é necessário planejar a assistência. O caderno traz como lógica o auxílio ao trabalho com o idoso, que não aprendeu coisas sobre envelhecimento. É preciso observar e aplicar a assistência nessa pessoa que está a sua frente, lembrando que é uma pessoa idosa, com demandas específicas. O caderno tem uma linguagem fácil e auxilia no direcionamento das ações, propõe um instrumento simples de avaliação, dizendo o que fazer ao detectar algum tipo de intercorrência no momento;

7) Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra e fez a seguinte pergunta: “Nós já vimos que a nossa sociedade não se preparou para os idosos. Nós, profissionais de saúde, daqui uns vinte anos estaremos como eles também. O que irá acontecer? Seria muita falta de inteligência nós não nos prepararmos, até porque isso será para nós mesmos. Como você, profissional de saúde, que já atua há um bom tempo nessa área, acompanhando essa situação, acha que deve ser feito para ser formada uma política de saúde, colocando cuidadores na profissão de enfermagem, profissionais médicos? Como teria que ser o hospital para estar enfrentando este desafio nas próximas décadas?” Dra. Yeda respondeu: “Primeiro, acho que isso não é uma questão de profissional de saúde. As pessoas, em geral, não se preparam para envelhecer. O profissional de saúde acha que isso nunca vai acontecer com ele e não se prepara. Em relação ao que você colocou, nós não nos preparamos, e isso acontece porque não tivemos tempo. Por exemplo, quando você olha para a Europa, percebe que ela levou 300 anos para envelhecer. O Brasil envelheceu em uma geração de 40 anos. Esse número parece muito, mas não é. Eu escuto sobre o envelhecimento há 20 anos, mas noto que quase nada mudou com relação ao cuidado. Isso é um reflexo da velocidade com que o envelhecimento acontece. Mas acho que temos que correr atrás do prejuízo, porque essas pessoas estão cada vez mais presentes, e elas têm uma demanda específica. O que a gente tem trabalhado com o Ministério e as Secretarias Municipal e Estadual, é que temos de mudar o foco do profissional, não só do profissional do hospital, mas do profissional da rede. Meu trabalho não termina quando eu atendo um idoso, o qual entrou através do Pronto Socorro, por exemplo. Eu fiz a intervenção de urgência e mandei-o para casa. Se eu não sei que casa é essa para a qual ele vai, que rede de suporte ele tem, quais os cuidados serão prestados para ele lá, se este vínculo não acontece com a família ou com outro serviço que vai ser prestado. Esta rede que nós sempre discutimos e que na prática ainda não existe, ela não vai acontecer nunca. Essa relação não vai se construir de cima para baixo, será construída a partir do comprometimento dos profissionais com a realização efetiva desse cuidado. Eu posso dar para o idoso o simples encaminhamento depois que ele passou comigo e está reclamando que não está ouvindo. Encaminho para um médico otorrinolaringologista, jogo ele para a rede, sendo que o tempo que ele vai levar para conseguir uma consulta é de seis a oito meses. Eu nem olhei o ouvido desse idoso. Às vezes o que ele tem é uma rolha de cera. Então, ele não vai a essa consulta, tem dificuldade para pegar ônibus, enfim, acaba não indo e permanecendo com o problema.” Dr. Eduardo Sadao, passou a palavra às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes da Dra. Yeda Aparecida de Oliveira Duarte. O debate poderá ser melhor acompanhado através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.org.br. Dr. Sadao agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA (Dr. Gilberto Luiz Castro Vinhas – Coord. Científico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA (Dr. José Waldyr Fleury de Azevedo – Coord. Científico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA (Sr. Othoniel Roberto Cavion – Coordenador Administrativo da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA (Dr. Aristides Camargo – Coord. Científico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA – não linkado; FEHOSP (Maria Fátima da Conceição – Gerente Técnica); HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA – não linkado; HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS (Funcionários do CPD); SANTA CASA DE MIS. DE RIBEIRÃO PRETO (Dr. Marcelo Rieira – Clínico geral).

Participantes:

Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP).

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