Controle de Infecção Hospitalar.

19/03/2009 - 11:00 hs às 12:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Maria Martha Ferreira Jeukens

Professora Adjunta da FCMSCSP.

1) Prof.ª Dra. Maria Martha Ferreira Jeukens inicia o evento apresentando-se como Professora de Doenças Transmissíveis do Curso de Enfermagem da FCMSCSP, dizendo que poderia colaborar na videoconferência com questões que “dizem respeito da maneira como lidamos com o Ensino de Controle de Infecção Hospitalar na Faculdade”;

2) Enfermeira Flavia Rubia Luisa B. Nunes apresentou-se, dizendo que iria ajudar com questões referentes ao Controle de Infecção Hospitalar, que definiu: “nada mais é do que a prevenção e a educação dos funcionários”;

3) Dr. Irineu Francisco Delfino Silva Massaia tomou a palavra dizendo que se trata de um assunto muito importante, e disse que atualmente é Coordenador do CCIH da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e dos Hospitais da Irmandade. Disse também, que vale reforçar o Conceito de Infecção Hospitalar, um tema que tem mudado ao longo do tempo, já que tem se falado muito mais em temas atuais das infecções relacionadas à Assistência à Saúde, por ser um conceito mais amplo. “As ações para este controle vão desde Educação Continuada, a busca ativa cada vez maior para mudanças, e também, o conhecimento microbiológico e epidemiológico de cada Instituição. Conhecendo nossos agentes infecciosos e nossas ações educacionais, se consegue um controle de Infecção muito mais próximo do ideal”, complementou o Dr. Irineu. Comentou também, de como a Santa Casa tem feito, por exemplo, para controlar antimicrobianos em todos os hospitais da Irmandade;

4) Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra e perguntou para o Dr. Irineu: “Quais são as Normas da ANVISA ou do Ministério da Saúde referente à Infecção Hospitalar, quais são os níveis aceitáveis e qual a rotina do Hospital da Santa Casa?” Dr. Irineu respondeu: “Existe uma normalização no Brasil inteiro do que se conhece sobre fazer o Diagnóstico de Infecção Hospitalar. Então, são todas as infecções relacionadas à Assistência à Saúde”. Complementou ainda, que todo “procedimento médico ou da equipe multidisciplinar profissional que possa gerar uma infecção para o usuário ou para o Cliente é considerado Infecção Hospitalar”. Existem dados tabulados e cadastrados ao longo dos anos que variam com relação ao percentual de Instituição para Instituição, mas, também, existem domínios pré-determinados do aceitável no Brasil, e para a Organização Mundial da Saúde (OMS), do tolerável de Infecção pra cada sítio, como: “Infecção de Coluna Cervínia, o qual é relacionado a cateteres invasivos, infecção respiratória, ligado ou não à ventilação mecânica, infecção urinária ligada ou não à sondagem cervical, infecção de sítio cirúrgico”. Estas seriam as mais importantes. Para cada uma destas, o Hospital tem sua taxa de infecção;

5) Dr. Irineu ressaltou que para cada uma destas infecções há uma taxa correspondente, as quais ao longo dos anos têm se aproximado do ideal, a partir, de métodos semelhantes em diferentes hospitais para se chegar às mesmas taxas. Hoje se preconiza que estas taxas sejam feitas com a metodologia igual em todos os serviços, justamente para o SUS, ou seja, para o Governo Federal poder comparar as Instituições. Isto acontece muito hoje em dia, pois, “nós temos um valor absoluto de Infecção, mas, não se pode comparar entre uma Instituição e outra, cuja metodologia de adquirir estes dados é divergente entre elas. Atualmente, a Santa Casa de São Paulo tem seguido a mesma regra para encontrar estes números já firmados nos Estados Unidos. Há também diversos hospitais de primeira linha, no Brasil, em São Paulo, que também têm seguido essa metodologia. É neste sentido que a Santa Casa de São Paulo tem procurado se orientar; um modelo, ou seja, uma técnica de busca ativa para infecções nos diferentes sítios, e deste modelo pode ser reproduzido e comparado com diversas Instituições”;

6) Dr. Eduardo Sadao questionou: “O índice de infecção no Pronto Socorro é diferente do índice de infecção do Centro Cirúrgico de UTI e também, existem variações entre os Departamentos de Ginecologia e Obstetrícia, com relação ao índice de Clínica Médica, Cirurgia ou Ortopedia? Qual é a situação atual hoje da Santa Casa?” Dr. Irineu Massaia prontamente respondeu: “Existe uma diferença grande entre uma e outra, que depende muito da gravidade do Cliente e do profissional de saúde que está com aquele cliente. A Unidade crítica que consideramos à UTI, Transplantes Cirúrgicos, seguramente a prevalência de Infecção Hospitalar ou de Assistência à Saúde é muito maior do que nas unidades de laboratório. As taxas de infecção no Departamento de Ortopedia, por exemplo, são bem diferentes de uma taxa de infecção no Pronto Socorro Central, isto é, bem divergente e comparável, mudando de Unidade para Unidade. Na Santa Casa há taxas mensais e anuais de cada Unidade.” O doutor passou, então, a palavra para que a enfermeira Rubia pudesse passar estes dados;

7) Enfermeira Flavia Rubia Luisa B. Nunes complementou a explicação do Dr. Irineu, dizendo que esta diferenciação, por exemplo, na Ortopedia, por se tratar de um procedimento bem mais evasivo, “o índice de infecção é mais bem relacionado à cirurgia profunda. Nas UTIs, em um paciente mais crítico e prolongado por internação, há mais infecção da parte respiratória e, consequentemente, a parte da corrente sanguínea, já que o paciente apresenta mais cateteres”. Disse ainda que a taxa de infecção varia de acordo com a demanda do hospital e de acordo com a época. “Por exemplo, na época de período mais seco, a infecção respiratória aumenta, e isto é trabalhado mensalmente com a prevenção. Na Santa Casa, que é um Hospital Escola, os residentes entram no mês de março. Nesse caso já é aplicada uma Educação Continuada para estes residentes, por precaução, isoladamente. Na parte de Enfermagem, que foi abordada pelo Dr. Irineu, ela ressaltou que a busca ativa é feita diariamente leito a leito, no centro cirúrgico, Transplante de Medula, UTI, tanto adulto como pediátrico. Nas áreas críticas, não críticas e semi-críticas, já há uma parceria com esta Unidade, a qual pode entrar em contato na Santa Casa, para ser feito o controle de Infecção Hospitalar. Apresentam também, um cronograma anual de Treinamento (duas vezes por ano), englobando os multiplicadores (enfermeiros). A Santa Casa está com aproximadamente 800 leitos e mensalmente há aulas de prevenção para as áreas: respiratória, cateteres, corrente sanguínea e infecção urinária. Enfim, precauções e isolamentos, cujos responsáveis de transmitir este treinamento são os enfermeiros. Completou dizendo que aplicam este Treinamento para os Fisioterapeutas, bastante ligados à Assistência Respiratória, Infecção Respiratória, de prevenção e conscientização;

8) Dr. Eduardo Sadao tomou a palavra e fez a seguinte pergunta: “A área de enfermagem dá algum curso de especialização nesta área, de Infecção Hospitalar?” Prof.ª Maria Martha respondeu: “Não, porém, existe uma solicitação para que este curso seja elaborado, e já está em fase de planejamento. Todavia, o que temos relativo à Infecção Hospitalar é uma disciplina optativa de 30 horas, que a meu ver, fecha um ciclo muito importante, porque os alunos, enquanto estudantes, podem ver todas as questões da Infecção Hospitalar, entender a metodologia e, sobretudo, se conscientizar como futuros profissionais, da importância que eles vão ter no papel Auxiliar ao Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, e também, de acatar os novos procedimentos, bem como, evitar que agentes de Infecção, possam ser a causa ou responsável por algum procedimento inadequado e que gere um risco maior de Infecção”. Dr. Sadao perguntou ao Dr. Irineu: “Existe alguma rotina, ou seja, meta que aplicamos aqui, que precisamos cumprir perante o Ministério da Saúde?” Dr. Irineu respondeu: “Existem diversas metas que são elaboradas, através de dados que os hospitais ao longo do ano enviam para o Ministério da Saúde e a meta é sempre a tolerância cada vez menor. Há vários projetos junto à Secretaria e ao Ministério da Saúde, para a redução das taxas de Infecção nas Unidades críticas, ou seja, principalmente das infecções de corrente sanguínea, relacionadas à ventilação mecânica nas Unidades de Terapia intensiva (UTI). De modo geral, ao longo do ano nós fornecemos dados a outros hospitais, com similaridades à Santa Casa para fornecer fonte e gerar um indicador que promova um “controle processo”. Atualmente, a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo participa de diversos deles e os que estão em andamento são referentes à corrente sangüínea e à ventilação mecânica”;

9) Dr. Sadao fez mais alguns comentários sobre o assunto e passou a palavra às entidades participantes que fizeram seus comentários, questionamentos e debaterem sobre o tema, tendo obtido respostas muito precisas por parte do Dr. Irineu, da Prof.ª Maria Martha e da Enfermeira Rubia. As perguntas poderão ser melhor acompanhadas, através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.org.br. Dr. Sadao agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA (Dr. Roberto Abdud – Infectologista da entidade, representando o Coord. Científico, Dr. Gilberto Luiz Castro Vinhas – Cardiologista); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE LORENA (Dr. José Inocência – Diretor Clínico e Membro do CCIH da entidade, representando Dr. José Waldir Fleury de Azevedo – Pediatra, Coord.. Científico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE MARÍLIA (Dra. Lucie, médica do CCIH da entidade, representando o Dr. Rubens Tofano de Barros – Cirurgião Cardiovascular e Coord. Cientifico, e equipe multidisciplinar da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA (Sra. Libânia Aparecida Garcia, enfermeira do CCIH da entidade, representando Dr. Walter Alonso Chécoli – Coord. Científico – Cardiologista da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE SOROCABA (Dr. Poli, médico CCIH da entidade, representando Dr. Aristides Camargo, Coord. Científico); IRM DA SANTA CASA DE MIS DE VOTUPORANGA (Milena, enfermeira da CCIH da entidade, representando Dr. João Paulo de Lima Pedroso, especialista em cirurgia torácica – Coord. Científico da entidade); FEHOSP – não linkado – problemas técnicos (Maria Fátima da Conceição – Gerente Técnica e equipe); HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA – não linkado (Dr. André Ramos Neto – Ginecologista e Coord. Cientifico) e HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS (não linkado).

Participantes:

Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP).

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