Breve Panorama Clínico sobre Contraceptivos Orais e Injetáveis.

24/09/2009 - 11:00 hs às 12:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Regina Marchi.

Palestrante: Dr. José Mendes Aldrigh.

Não informado.

1) O Dr. José Mendes Aldrighi iniciou a videoconferência agradecendo o convite para participar do projeto, e lembrando que iria fazer um Breve Panorama Clínico sobre Contraceptivos Orais e Injetáveis;

2) Dr. José começou dizendo que o tema a ser abordado está baseado em vivências na Santa Casa, na qual desde 1994, é Professor Titular de Ginecologia, além de trabalhar na Faculdade de Saúde Pública da USP, na qual é professor associado do Departamento de Saúde Materna Infantil. A anticoncepção teve crescimento real a partir de 1960, permitindo que a mulher pudesse exercer a sexualidade sem penalização de uma gestação indesejada. Pela primeira vez a mulher conseguiu separar sexo para ter prazer, de sexo para reprodução, usufruindo de seu controle de fertilidade. As primeiras pílulas contraceptivas da década de 60 tinham uma quantidade de hormônios exagerada. Para se ter uma ideia, cada cartela tinha cerca de 200 mil microgramas. Hoje, uma cartela de pílula não tem mais de 1.800 microgramas, o que mostra que a queda dos hormônios na cartela de pílula, além de dar segurança contraceptiva, propiciou menores riscos causados pelos esteróides;

3) Dr. José explicou que, quando fala de pílula, está falando do uso diário de uma drágea, durante 21 dias e com pausa de 7 dias, sendo que a seguir, há o retorno das atividades do uso do hormônio. A primeira orientação que deve ser passada quando se recomenda uma pílula para alguém é que ela deve ser utilizada no primeiro dia do ciclo, fazendo uso de 21 dias, depois pausa de 7 dias, e reiniciando no oitavo dia. Existem algumas formulações recentes com 24 comprimidos. Nesse caso, deve-se fazer uma pausa de 4 dias e depois reiniciando no quinto dia. Esse é um tipo de concepção oral, mas no caso de quadro de função gástrica, o que tem acontecido? Foram desenvolvidas outras pílulas, que na verdade são produtos hormonais injetáveis. Nesse caso, um é ministrado mensalmente, e outro trimestralmente. O produto ministrado mensalmente se comporta como uma pílula, sendo uma associação de estrogênio com progestógeno. Já aquele ministrado trimestralmente é feito somente de progestógeno, o qual é dado por via intramuscular a cada 90 dias. É importante considerar alguns aspectos práticos tanto da contracepção hormonal oral, quanto da contracepção injetada;

4) Dr. José frisou um aspecto interesse: modernamente, as mulheres têm preferido não mais o esquema de pílulas de utilização de 21 dias e pausa de 7, mas sim, têm preferido o chamado esquema contínuo estendido. Isso ocorre porque as mulheres hoje, de forma geral, não querem menstruar por conveniências. São mulheres que realmente têm condições, e que acreditam que as menstruações atrapalham sua vida profissional, como as atletas. Hoje há mulheres que trabalham no exército e não podem ficar menstruando constantemente. Também há grupos de adolescentes que não gostam de menstruar. Então, tem sido lançado o chamado uso da pílula contínua. Administra-se a pílula durante três meses, fazendo a suspensão de sete dias, e reiniciando outra cartela que valerá novamente por três meses. No Brasil ainda não há a pílula com 84 comprimidos. Porém, o FME já aprovou outra pílula por 365 dias. A mesma foi testada na Guerra do Iraque com sucesso total. As mulheres conseguiam ter ausência menstrual, com uma condição de prevenção de gravidez. É necessário chamar a atenção de que está sendo utilizado com grande frequência em todos os países europeus, e também nos EUA e no Brasil. Apesar de não ter a comercialização, tem-se utilizado as pílulas de 30 e de 150, de estrogênio e Levonorgestrel respectivamente, com o uso de 90 dias seguidos;

5) Dr. José comentou o uso de pílulas em adolescentes, por ser uma questão que cada vez mais assume um papel de importância. Uma vez que a vida sexual tenha se iniciado mais precocemente, questiona-se se as pílulas poderiam trazer malefícios para jovens. Minhas filhas tomando hormônio vão ter problema no crescimento? A resposta é não. A concentração de estrogênio da pílula é um décimo daquela que poderia bloquear o hormônio do crescimento, então ele não trará nenhum risco. Da mesma forma que não trará nenhum risco futuro de infertilidade. A menina que engravida e que toma pílula não vai ter risco no futuro de se tornar infértil. É importante também saber que a pílula não aumenta o risco de câncer de mama nas usuárias adolescentes, não determina a obesidade, assim como também não influencia no risco de câncer de colo uterino, a não ser que as meninas sejam poligâmicas, tendo múltiplos parceiros, ou mesmo elas sendo monogâmicas e seu parceiro poligâmico. Por isso, em uma relação sexual é importante utilizar a dupla proteção, ou seja, a pílula deve estar associada a um método de barreira;

6) Dr. José frisou um detalhe importante: devemos chamar a atenção das jovens para o fato de que mulheres acima de 35 anos não devem fumar, porque há o rico de trombose, infarto do miocárdio aumentado de 10 até 14 vezes. Tem-se observado um quadro de acidentes vasculares em jovens usuárias de pílulas que são fumantes e não praticam atividade física. É importante que os promotores da saúde alertem para essa associação, que mesmo em jovens, não deve ser esquecida. É necessário estimular esta jovem a se afastar do cigarro para que não tenha nenhum tipo de risco. As pílulas trazem efeito colateral, sem dúvida alguma. Portanto, uma jovem que toma a pílula sem orientação médica corre sim o risco. Qual é esse risco? Deve-se perguntar para a mãe da jovem ou para a adolescente se há antecedentes de discrasias, distúrbios sanguíneos ou de coagulação. As meninas que têm antecedentes familiares devem ser submetidas à discrímen para ver se há deficiência do fator 5, porque essas meninas, ao fazerem uso de pílula, podem ter um maior risco de tromboembolismo. Fora esse risco, a pílula é segura em todos os sentidos. Há que se admitir que a preconização da OMS, que diz para realizar exame de mensuração da pressão arterial antes de ministrar as pílulas, sem dúvida alguma, veio como uma forma importante, não no sentido de liberar geral, mas no sentido de mostrar que as pílulas são fármacos seguros;

7) Dr. José pontuou alguns detalhes sobre o uso de pílulas no climatério. De acordo com o conceito do Dr. José, climatério é a época em que a mulher começa a exibir uma falência de produção dos esteróides ovarianos, a qual ocorre a partir dos 38 anos de idade. Essa mulher já tem uma condição de infertilidade fisiológica, ou seja, as taxas de gestações são menores nesta faixa etária, mas ainda existem. Para se ter uma ideia, tem-se observado que a jovem adolescente pratica o aborto, mas a mulher acima dos 38 anos também, apesar da fertilidade ser menor. Os médicos devem orientar um método contraceptivo. Se não for fumante, hipertensa, diabética, elas podem utilizar a pílula. A pílula nessa idade é ótima para a pele, para a hidratação vaginal, para o osso, regulariza o ciclo menstrual e reduz, como já dito no início, o câncer de ovário e o de endométrio. Finalizando, deixou uma mensagem: “Quando a paciente nos procura para fazer anticoncepção, devemos entender, nós médicos ginecologistas, que 70% das mulheres nos veem como verdadeiros clínicos. O momento da contracepção é o momento de analisar o exame clínico, exames de rastreamento, incluindo o Papa Nicolau de rotina. O ginecologista deve fazer o exame mamário e não esquecer de olhar a vulva, não só para verificar doenças sexualmente transmissíveis, como o HPV, mas na fase da menopausa, acima dos 40 anos, olhar para ver se não há lesões distróficas vulvares, as quais podem ser o início de um câncer vulvar”;

8) Dra. Tania Lago (Professora Assistente do Departamento de Medicina Social da FCMSCSP) tomou a palavra e fez a seguinte pergunta: “Antes se prescrevia a pílula a partir do quinto dia do ciclo, e não do primeiro como você disse. Também havia o hábito de dizer para as mulheres que depois de tanto tempo usando a pílula, elas deveriam descansar. Mas nesse descanso sabemos que muitas mulheres acabavam engravidando. Nesse esquema de uso contínuo de pílula, seja por três meses, ou essa nova pílula que possibilitará não menstruar por um ano, não se verificaram incidências de complicações e maior risco do que nas mulheres que não o fazem? Outro ponto é se ainda existe uma justificativa para propor a interrupção do uso da pílula?” Dr. José respondeu: “De fato, com as pílulas modernas nós não devemos iniciar o uso no quinto dia, porque o FSH começa a aumentar no final do ciclo anterior, e nesses cinco dias nós podemos ter folículos em crescimento, o que justificaria muitas ocorrências de gestações que foram observadas em mulheres que começaram a tomar a pílula no quinto dia. Deve ser dada pela primeira vez no primeiro dia do ciclo, sendo administrada durante 21 dias, fazendo uma pausa de sete dias e reiniciando no oitavo. Nesse tipo de esquema as falhas são praticamente inexistentes. A mulher não deve esquecer-se de tomar sempre no mesmo horário. Não podem ocorrer pausas durante a medicação, pois fica difícil o metabolismo se acostumar. No caso do uso de pílula contínua, a eficácia está consagrada. Ela tem uma eficácia igual à pílula consumida mensalmente. O que pode aumentar é o risco de sangramento.” Dra. Tania Lago tomou a palavra novamente e passou às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes do Dr. José Mendes Aldrighi. O debate poderá ser melhor acompanhado através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.org.br. Dra. Tania agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA (Erika Patrícia Pulido – Enfermeira da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA (Sr. Othoniel Roberto Cavion – Coordenador Administrativo da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA; FEHOSP; HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA – não linkado; HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE RIBEIRÃO PRETO.

Participantes:

Dra. Tania Lago (Professora Assistente do Departamento de Medicina Social da FCMSCSP).

Sem apresentação de powerpoint