Alzheimer.

15/09/2009 - 11:00 hs às 12:00 hs

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Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Dra. Rita Cecília R. Ferreira

Médica Psiquiatra, Colaboradora do Programa de Terceira Idade (PROTER) do IPq HC FMUSP, Diretora Clínica da ABRAz São Paulo.

1) A Dra. Rita Cecília Reis Ferreira iniciou a videoconferência relembrando que iria falar sobre a demência de Alzheimer;

2) Dra. Rita focou o tema demência, tipos de demência, e em seguida, a demência de Alzheimer. O que é uma demência? Demência é a síndrome decorrente de doença cerebral crônica progressiva com perturbações de múltiplas funções cerebrais superiores: memória, atenção, pensamento, orientação temporo-espacial, linguagem, compreensão, cálculo, raciocínio, capacidade de aprendizado e julgamento. É importante perceber que nos casos demenciais não existe comprometimento da consciência, ou seja, não há obnubilação, mas encontramos alteração do comportamento social, da motivação e, com freqüência, habilidade emocional. Este declínio das funções cognitivas trará interferências na vida diária deste paciente. Temos dois tipos básicos de demência: reversíveis e irreversíveis. As reversíveis são aquelas causadas por outras reversões clínicas e que levam ao comprometimento da cognição (infecciosas, tóxicas, traumas, disfunções metabólicas, distúrbios nutricionais, depressão). As irreversíveis são as mais complicadas, pois a partir delas estaremos fixando a demência de Alzheimer, por ser a mais incidente na população. A doença de Alzheimer é responsável por 50% das demências;

3) Dra. Rita ressaltou que o quadro clínico mostra declínio cognitivo global, sem alteração da consciência, de inicio insidioso e com piora progressiva, atrapalhando a realização das atividades da vida diária dessa pessoa. Foi descrita em 1906 por Alois Alzheimer no encontro dos psiquiatras do sudoeste da Alemanha. Relatou o caso de uma mulher de 51 anos, que apresentava delírio de ciúmes, declínio rápido de memória, desorientação espacial, alteração de comportamento, ideias paranóides. Faleceu 4,5 anos após o início dos sintomas, alheia, acamada, incontinente. Realizou o processo anatomopatológico, encontrando cérebro atrófico, com numerosas placas e emaranhados neurofibrilares no córtex;

4) Dra. Rita destacou os fatores de risco da demência de Alzheimer: idade – observa-se que aos 60 anos há risco de 2% de demência de Alzheimer, e aos 90 anos, encontram-se 40% ou mais de idosos com demência de Alzheimer. Além disso, há o Alzheimer com causa genética, ou seja, quando detecta geneticamente a presença do Alelo E4 da ApoE, sendo de grande importância prestar atenção na história familiar. Sabermos também que a Síndrome de Down propicia uma incidência maior de demência de Alzheimer. O quadro clínico se caracteriza por perda da memória recente, a qual, frequentemente, é acompanhada de sintomas depressivos, além de confusões e de comprometimento das atividades da vida diária. Outras alterações psicológicas e do comportamento estão presentes, com variáveis de pessoa a pessoa, podendo ocorrer delírios, alucinações, Síndrome do Entardecer, apatia, agitação, agressividade;

5) Dra. Rita explicou como é realizado o diagnóstico da demência de Alzheimer. É muito importante proporcionar um diagnóstico rápido, ou seja, quanto mais rápido iniciar este diagnóstico melhor a possibilidade de tratamento que este paciente poderá ter. Infelizmente não há cura para Alzheimer, e não terá melhora para memória desse paciente, mas podemos com o tratamento deter o avanço da doença e proporcionar a este paciente uma estabilidade maior, onde esperamos que novas drogas, novos terapêuticos possam surgir e facilitar sua vida. Indicou que é de fundamental importância realizar uma boa Anamnese, para o caso de estar com problema de memória ou cognição. Deve-se lembrar sempre de ouvir o paciente, mas também o seu acompanhante, procurar sempre saber um referencial de observação do doente. Além da Anamnese, são utilizados alguns testes de rastreio cognitivos, sendo o mais utilizado o Mini Mental. Há também o ADAS – Cog, CDR, Teste do Relógio, Neuroimagem, Avaliação Neuropsicológica;

6) Dra. Rita abordou o tratamento utilizado hoje em demência de Alzheimer. Ressaltou que há a possibilidade de estabilizar a demência num período que varia de caso a caso, em torno 3 a 5 anos. O que se usa hoje são basicamente medicamentos inibidores, como Donepezil, Rivastigmina e Galantamina. É muito importante que possamos atingir a dose total da medicação onde teremos melhor efeito da droga. Existe também o tratamento não farmacológico, o qual é muito importante, incluindo a reabilitação neuropsicológica, utilizada em casos leves, psicoterapias e terapias complementares, terapia familiar, e por ser uma doença muito estressante para quem cuida, o cuidador tem que ter orientação e suporte do médico;

7) Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP) tomou a palavra e fez a seguinte pergunta: “A doença acomete apenas os idosos?” Dra. Rita respondeu: “Não. Pelo contrário. Os casos mais dramáticos geralmente são os genéticos, os quais acontecem com uma rapidez impressionante. Às vezes você vê famílias inteiras de pessoas que vão aos 40, 50 anos, e apresentam o caso. Felizmente, isso é exceção, mas é importante nós sabermos que a incidência é muito maior em idosos, aumentando assustadoramente com o aumento da idade. Entretanto, podemos ter jovens com demência de Alzheimer.” Dr. Sadao fez mais uma pergunta: “No início da desconfiança é necessário que alguém conviva muito de perto com este paciente para saber ou perceber que existe alguma alteração, e isso às vezes é difícil, aliás no mundo atual não há muita intimidade. Às vezes não há essa afinidade de conversar. Do lado hospitalar os pacientes às vezes entram no hospital com diversos diagnósticos, o que acaba por não permitir esse diagnóstico correto. Qual a grande dica que você dá? O que você sugere?” Dra. Rita respondeu: “É muito importante, pois precisamos perder o preconceito com o envelhecimento, e esse preconceito existe. Começamos a achar que idoso esquece mesmo, mas idoso não esquece não. Idoso pode ficar mais lento, porém não esquece as coisas. Esse preconceito de achar que o vovô é assim mesmo, que a gente vai ficando velho. Sempre que um paciente chegar, deve-se perguntar para ele se há o problema de memória. Então, se ele falar que tem, é importante valorizar e investigar, porque é fundamental essa investigação, a qual vai nos abrir a possibilidade de detectar a doença precocemente, de agir e deixar esse paciente numa condição melhor. Há medicamentos que já estão em fase de pesquisa, e se todos os efeitos colaterais forem contornados, os medicamentos poderão ser lançados em 2012, podendo trazer para essas pessoas algumas perspectivas que hoje nós não temos.” Dr. Eduardo Sadao tomou a palavra novamente e passou às entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes da Dra. Rita Cecília Reis Ferreira. O debate poderá ser melhor acompanhado através do vídeo do evento que se encontra na página do projeto EDUCASUS www.educasus.org.br. Dr. Sadao agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão.

Entidades participantes:

SANTA CASA DE MIS. DE ITAPEVA (Dr. Gilberto Luiz Castro Vinhas – Coord. Científico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE LORENA (Dr. José Waldyr Fleury de Azevedo – Coord. Científico da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE MARÍLIA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE PIRACICABA (Sr. Othoniel Roberto Cavion – Coordenador Administrativo da entidade); IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE SOROCABA – não linkado; IRM DA SANTA CASA DE MIS. DE VOTUPORANGA – não linkado; FEHOSP (Maria Fátima da Conceição – Gerente Técnica); HOSPITAL SÄO LUIZ GONZAGA (Funcionários); HOSPITAL GERAL DE GUARULHOS – não linkado; SANTA CASA DE MIS. DE RIBEIRÃO PRETO (Funcionários).

Participantes:

– Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine (Coordenador de Ensino à Distância de Telemedicina da FCMSCSP).

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