Abordagem do Paciente Politraumatizado.

28/04/2011 - 10:30 hs às 12:00 hs

208 Visualizações

Localidade: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Coordenador(a): Prof. Dr. Eduardo Sadao Yonamine.

Palestrante: Prof. Dr. Tercio de Campos

Professor Assistente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Doutorado em Cirurgia

1) Dr. Tercio de Campos iniciou a videoconferência dizendo que é um grande prazer estar presente e compartilhar duvidas com os colegas. Ressaltou que iria abordar o tema Abordagem do Paciente Politraumatizado. Existe um padronização muito bem determinada nos dias de hoje, sobre como se deve abordar um paciente politraumatizado através do ATLS, onde definem as prioridades desse doente. Porque prioridades? Com o que esse doente morre mais rápido? Passou a falar de uma situação real, qual presenciamos nesta terça-feira, 26. Nós recebemos uma vitima de atropelamento por ônibus e que chegou três horas após o acidente e foi trazida pelo resgate. Falou em detalhes os sintomas do paciente. O que nosprocupou inicialmente neste doente, foi o mecanismo de trauma. Então as prioridades que nós temos, seguimos de acordo com o ATLS na ordem A, B, C, D e E, porque diminuem as chances de errarmos numa conduta. É importante e o que temos em mente é diagnosticar e tratar ao mesmo tempo. Pacientes como estes, nós recebemos vários por dia, mas é importante sempre nos preocuparmos com o doente, e esse doente tem uma particularidade, é o mecanismo de trauma. Após uma hora da chegada desse paciente e ter recebido medicação, nós fizemos uma reposição simples de doentes que chegam estáveis e dependendo de como é a evolução desse doente, nós progredimos com algum tipo diferente de reposição ou sangue. Reavaliamos este doente, que é o que se deve ser feito e nós verificamos que havia presença de sangue na boca, e tossia um pouco, entre outros aspectos. Fizemos um FAST (tipo de ultrasom) na sala de emergência, onde detectamos liquido na cavidade peritoneal. Acompanhamos a evolução, e observamos que o glasgo de 15 foi para 12, e ele começou agitado, não conseguia falar apropriadamente. Colocamos então algumas perguntas deste doente, o que está acontecendo com este doente? Porque ele piorou? Quais são os próximos passos? Quais são as decisões críticas que termos de tomar para este doente? Ou seja, 1h atrás o que nos preocupava era i mecanismo de trauma, agora coisas a mais nos preocupam. Ele tem secreção na boca, tosse, saturação alterada. Nós esperamos que um paciente vitima de trauma grave com hemorragia interna, evolua com sinais de choque hipovolêmico, onde um dos principais sinais é taquicardia, esse doente está bradicardizando, isso nos chamam a atenção, mantendo também a pressão arterial;

2) Dr. Tercio ressaltou quais são as decisões criticas a serem tomadas com esse doente. O que temos de fazer? Oxigênio ou via aérea definitiva (intubação oro-traqueal para promover a passagem definitiva de ar, segurar a via aérea e impedir a aspiração)? Porque ele está bradicardizando? Liquido livre na cavidade abdominal, ou peritoneal, porque será que ele tem este liquido, será que ele tem alguma doença? Quais exames e diagnósticos devemos fazer? São estas as decisões criticas que nós devemos tomar com este doente. Porque que nós optamos por intubação oro-traqueal e uma via aérea definitiva, além de um simples oxigênio? O ATLS defende que: Quando se tem um doente com galsgo acima de oito, você pode mantê-lo com mascara de oxigênio, mas nós consideramos uma queda significativa desse glasgo, alem do que este paciente estava tossindo, tinha secreção na boca e corria risco de aspiração. Esse doente precisaria de no mínimo um método de imagem em outro setor do hospital ou centro cirúrgico. Então nós asseguramos a via aérea desse doente para não termos mais essa preocupação, nós impedimos que ele aspire, que ele tenha vômitos e mantemos o fornecimento de oxigênio adequado para ele. Será que a bradicardia não está associada a hipertensão intra-craniana? Sabemos que a hipertensão intra-craniana devido a um hematoma extra-dural ou sub-dural agudo pode levar a bradicardia. Será que está acontecendo isso com este doente? Nós solicitamos a tomografia de crânio e abdômen. Estávamos muito preocupados com o trauma de crânio dele, como ele fazia uma tomografia de crânio nós aproveitamos pela facilidade e cortamos o abdômen, para termos um diagnóstico mais preciso do que estava acontecendo com ele;

3) Dr. Tercio explicou que essa tomografia de crânio onde conseguimos visualizar uma hemorragia sub-dural bastante extensa. É uma situação muito grave, já com desvio de linha média nós já temos obstruções dos espaços ventriculares e é um doente que a neurocirurgia considera muito grave, já com desvio de linha média, e que precisaria de descompressão imediata. No abdômen, alem de conseguimos comprovar o liquido na cavidade que o FAST mostrou na região do baço, e detectamos uma fratura. Então fica as perguntas: Como tratar uma lesão na cabeça? Como tratar a lesão esplênica? O que tratar primeiro? Explicou em detalhes a cada questão.

4) Sra. Tatiana Viesseli (Analista Técnica da Fehosp) tomou a palavra e passou para as entidades participantes, as quais fizeram seus comentários, questionamentos e debateram sobre o tema, tendo obtido respostas muito pertinentes do Dr. Tercio de Campos. O debate pode ser acompanhado pelo vídeo do evento disponível na página do projeto EDUCASUS www.educasus.com.br. Sra. Tatiana agradeceu a presença de todos e encerrou a sessão.

Participantes na FEHOSP:
Sra. Tatiana Viesseli (Analista Técnica da Fehosp.

Entidades participantes:

HOSPITAL PRÓ VISÃO, SANTA CASA DE VOTUPORANGA e FEHOSP.

Participantes:

Não informado.